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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
ago. de 20268 min de leitura

Microagulhamento em cães com alopecia X: o que a técnica faz e o que ela não faz

O pelo do Spitz não voltou com castração nem com melatonina, e alguém sugeriu microagulhamento. A técnica existe, tem estudo publicado e tem indicação estreita. Vale entender as três coisas antes de agendar.

Imagem de um cachorro spits alemão com alopescia X de lado

Microagulhamento em cães é uma técnica de trauma cutâneo superficial e controlado que vem sendo usada na dermatologia veterinária para estimular o recrescimento de pelo na alopecia X. Fazemos o procedimento no consultório da Dermato Animal, em Barreiros, São José, junto com o peeling de diamante, atendendo tutores de Florianópolis, Palhoça, Biguaçu e da Grande Florianópolis.

O ponto de partida, porém, não é a técnica. É o diagnóstico. Alopecia X é diagnóstico de exclusão, e microagulhar a pele de um cão que na verdade tem hipotireoidismo ou Cushing é tratar o efeito e deixar a doença correndo solta.

O que é alopecia X

É uma parada no ciclo do pelo. O folículo entra em repouso e não retoma o crescimento, o que produz uma alopecia simétrica, sem inflamação e sem que o animal esteja doente por outros motivos. Causa e mecanismo ainda não foram estabelecidos pela literatura, e é daí que vem o "X" do nome.

O quadro tem uma assinatura visual que a maioria dos tutores reconhece na hora:

  • a perda começa pelo tronco, pescoço, coxas, cauda e região perineal;
  • cabeça e patas costumam permanecer com pelo, o que dá o aspecto de pelagem invertida;
  • os pelos de cobertura somem primeiro e sobra a subpelagem, com aspecto de pelo de filhote;
  • a pele exposta escurece com o tempo, uma hiperpigmentação que assusta e não é lesão;
  • o cão não coça, não tem ferida e continua se comportando normalmente.

Aparece mais em raças nórdicas, com o Spitz alemão, também chamado de Lulu da Pomerânia, à frente, seguido de husky siberiano, malamute do Alasca, chow chow e samoieda. Costuma começar entre 1 e 3 anos de idade e é frequente em machos castrados.

Justamente porque o animal não sofre, a alopecia X é tratada como problema estético em muitas conversas. Ela é, antes disso, uma disfunção folicular, e o que a define como caso é o diagnóstico correto.

Primeiro a exclusão, depois a agulha

Vários problemas produzem queda de pelo simétrica sem coceira, e todos eles se parecem com alopecia X na foto. Antes de considerar o procedimento, é preciso afastar:

  • hipotireoidismo, que costuma somar apatia, ganho de peso e pele opaca, tema de hipotireoidismo em cachorro e os sinais na pele;
  • hiperadrenocorticismo, o Cushing, com sede aumentada, abdome distendido e pele fina, que detalhamos em Cushing em cachorro e o que ele faz com a pele;
  • desequilíbrio de hormônios sexuais, incluindo o que sobra depois de castração incompleta ou de tumor produtor;
  • displasia folicular e outras alopecias de origem genética;
  • causas cutâneas primárias com apresentação atípica.

Esse raciocínio inteiro está descrito em cachorro perdendo pelo dos dois lados. A investigação usa exame clínico, exames de sangue com painel hormonal e, quando necessário, biópsia de pele. Só depois de o resto cair é que a alopecia X fica de pé.

O que a literatura mostra sobre o microagulhamento

Este é o ponto que separa o procedimento de uma moda importada da estética humana. Existe publicação, e ela é específica.

O relato inicial, 2015

Um trabalho publicado na Veterinary Dermatology acompanhou duas irmãs Lulu da Pomerânia castradas, com alopecia X confirmada por histopatologia, que já haviam falhado com deslorelina, melatonina e minoxidil tópico. As cadelas foram anestesiadas e a pele foi puncionada com dispositivo de microagulhamento. O recrescimento começou cinco semanas depois, acompanhado de redução da hiperpigmentação. Em doze semanas, a cobertura de pelo nas áreas antes alopécicas havia melhorado 90%. Doze meses depois, a pelagem seguia estável, sem efeitos adversos registrados. Foi o primeiro relato do tipo em cães.

A série brasileira, 2018

Uma dissertação defendida na Universidade Santo Amaro avaliou 23 Spitz alemão com alopecia X submetidos a uma técnica mista: rolo de microagulhas no tronco e caneta de microagulhas nas regiões cervical e perineal, membros pélvicos e cauda. Os índices de repilação obtidos foram excelentes, de 80 a 100% de recrescimento, em 14 cães, o equivalente a 61%; bons, de 60 a 80%, em 3 cães; regulares, de 40 a 60%, em 3 cães; e mínimos, abaixo de 40%, em outros 3. O trabalho registra resposta inclusive em animais com perda severa acima de 80%, em casos crônicos com mais de 24 meses de evolução e em cães que já haviam usado trilostano e melatonina sem resultado.

Relatos de caso brasileiros, 2020 e 2023

Dois Spitz alemão machos, de 2 e 5 anos, com alopecia e escurecimento de pele em dorso, flanco, região cervical, caudal e perianal por mais de dois anos, já castrados e já tratados com melatonina sem sucesso, apresentaram repilação das áreas alopécicas depois do microagulhamento.

Três leituras honestas desses números:

  1. o volume de evidência ainda é pequeno, com séries curtas e sem grupo controle, e os próprios autores pedem estudos maiores;
  2. mesmo assim, é bem mais evidência do que sustenta boa parte das alternativas oferecidas para alopecia X;
  3. os percentuais acima descrevem aqueles animais, naqueles estudos. Não são o resultado deste consultório e não valem como previsão para o seu cão.

Por que furar a pele faria pelo crescer

A explicação aceita é que a punctura superficial e controlada aciona a cascata de reparo da pele. Esse processo mobiliza fatores de crescimento e a atividade das células do folículo, e é o estímulo que parece tirar o folículo do repouso prolongado em que a alopecia X o deixou.

Dito de forma simples: o folículo não morreu, ele parou. O microagulhamento é uma tentativa de reabrir o ciclo, e por isso o efeito não é imediato nem visível na semana seguinte.

Onde entra o peeling de diamante

O peeling de diamante, que muita gente busca como derma peeling, é uma microdermoabrasão mecânica. Uma ponteira com superfície abrasiva remove a camada mais superficial da pele, a camada córnea, com as células mortas acumuladas ali, e estimula a renovação do tecido.

Na alopecia X ele entra como complemento, com duas funções práticas: preparar e uniformizar a pele que passou anos coberta apenas por subpelagem, e manejar o acúmulo de queratina e a oleosidade que costumam acompanhar o quadro.

Uma distinção que ninguém faz nos anúncios e que vale fazer aqui: a evidência publicada em alopecia X é do microagulhamento. O peeling é coadjuvante de manejo da pele, com literatura própria bem mais escassa nessa indicação específica. Quem apresenta os dois como equivalentes está simplificando.

Como é o procedimento na prática

Alguns pontos que costumam responder a maior parte das dúvidas antes do agendamento.

Com sedação. O procedimento é feito com o animal sedado ou anestesiado, conforme a avaliação de cada caso. Não é conforto opcional: é o que permite trabalhar a área toda de forma uniforme e segura.

Por sessões. Não é procedimento de dose única. As áreas e o intervalo entre sessões são definidos pela extensão da alopecia e pela resposta que aparece no caminho.

O tempo é de meses. No relato de 2015, o pelo começou a aparecer na quinta semana e o resultado consolidado foi lido em doze semanas. Cobrar resultado em quinze dias é cobrar o que a técnica não faz.

Com registro fotográfico. Alopecia X é caso de evolução lenta, e memória de tutor e de veterinário são igualmente ruins para isso. A comparação em fotos padronizadas é o que mostra se está funcionando.

Sem garantia. Nas séries publicadas, parte dos animais teve recrescimento mínimo. Não existe forma de saber de antemão em qual grupo o seu cão vai cair, e quem afirma o contrário está prometendo o que não pode entregar.

Quando o microagulhamento não é o caminho

Ele não é solução para queda de pelo em geral. Não trata alopecia causada por alergia, por parasita ou por infecção, e nesses quadros o pelo volta quando a causa é tratada. Se o seu cão coça, se tem ferida, casquinha ou cheiro forte na pele, o assunto é outro e a conduta é outra.

Também não é caminho enquanto houver causa hormonal em aberto. Um cão com Cushing não controlado que passa por microagulhamento continua com Cushing, e a doença de base cobra o preço.

E não é procedimento estético de rotina. Pele com infecção ativa, ferida ou processo inflamatório em curso precisa ser tratada antes.

Onde fazer na Grande Florianópolis

Fazemos o microagulhamento e o peeling de diamante no consultório em Barreiros, São José, dentro de um protocolo que começa pelo diagnóstico. O caminho é sempre o mesmo: consulta dermatológica, exclusão de causa hormonal e das demais alopecias, indicação do procedimento apenas quando ele é a resposta certa para aquele caso, e acompanhamento com registro de evolução.

O consultório é dedicado exclusivamente a dermatologia e endocrinologia de cães e gatos, o que importa aqui por um motivo bem concreto: alopecia X vive na fronteira entre as duas áreas, e é comum o caso ser encaminhado depois de meses tratado só pelo lado da pele.

O limite honesto disto tudo

Este texto não diagnostica o seu cão. Não avaliamos pele por foto nem por descrição, e alopecia X é exatamente o tipo de quadro que se parece com três ou quatro outros em uma imagem de celular.

Também não temos como dizer daqui se o seu animal tem indicação de microagulhamento. Dá para afirmar que a técnica tem literatura publicada, indicação estreita e resultados que variam bastante entre indivíduos, e que ela vem depois do diagnóstico, nunca no lugar dele.


O pelo do seu Spitz não voltou com castração nem com melatonina?

Antes de tentar o próximo protocolo, vale confirmar o diagnóstico. Aqui fazemos a investigação completa da queda de pelo, com foco em dermatologia e endocrinologia, e indicamos microagulhamento e peeling de diamante quando o caso é de alopecia X.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e em toda a Grande Florianópolis.


Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Onde fazer microagulhamento em cães em Florianópolis ou São José?

O procedimento é realizado no consultório da Dermato Animal, em Barreiros, São José, com atendimento a tutores de Florianópolis, Palhoça, Biguaçu e demais cidades da Grande Florianópolis. O atendimento é presencial e a indicação é definida em consulta, depois de excluídas as causas hormonais de queda de pelo.

Microagulhamento funciona mesmo para alopecia X?

Existe literatura publicada. Um relato de 2015 na Veterinary Dermatology descreveu melhora de 90% na cobertura de pelo em doze semanas em duas Lulu da Pomerânia, com resultado estável em doze meses. Uma série brasileira com 23 Spitz alemão registrou recrescimento de 80 a 100% em 61% dos animais. São estudos pequenos, sem grupo controle, e o resultado varia entre indivíduos.

Qual a diferença entre microagulhamento e peeling de diamante?

O microagulhamento faz microperfurações na pele para estimular o reparo e reativar o folículo parado. O peeling de diamante é uma microdermoabrasão que remove a camada mais superficial da pele e estimula a renovação. Na alopecia X, a evidência publicada é do microagulhamento; o peeling entra como complemento de manejo da pele.

Meu cão precisa de anestesia?

Sim, o procedimento é feito com sedação ou anestesia, conforme a avaliação individual. Isso permite tratar toda a área de forma uniforme e sem desconforto.

Em quanto tempo o pelo volta?

Meses. No relato de 2015, o crescimento começou cinco semanas depois do procedimento e o resultado consolidado foi avaliado em doze semanas. Parte dos animais das séries publicadas teve recrescimento mínimo, e não há como prever a resposta antes de tentar.

Castrar resolve alopecia X?

Não é regra. Vários dos cães descritos nos estudos já haviam sido castrados, alguns já haviam usado melatonina e trilostano, e mesmo assim seguiam alopécicos. A castração faz parte da discussão de cada caso, e não funciona como tratamento garantido.

A alopecia X faz meu cão sofrer?

Ela não causa coceira nem dor, e o animal segue bem no geral. O que preocupa é outra coisa: a mesma aparência pode ser produzida por doenças hormonais que precisam de tratamento. Por isso o diagnóstico vem primeiro, mesmo quando a queixa parece só estética.