Pular para o conteúdo
Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
ago. de 202612 min de leitura

Praias que aceitam cachorro na Grande Florianópolis: o guia por cidade

Campeche e Ingleses liberaram cães em 2026, em trechos delimitados e com horário. Veja o que vale em cada cidade da Grande Florianópolis — e o que checar na pele do seu cão depois do passeio.

Mulher jogando bolinha para o cachorro na praia

Informações verificadas em 13 de agosto de 2026. As regras mudam por decreto municipal e por portaria de temporada — sempre confirme antes de sair de casa. Cada afirmação abaixo tem a lei correspondente indicada, e as fontes estão no fim do texto.

Resposta rápida

Levar cachorro na praia em Florianópolis é permitido desde 28 de fevereiro de 2026, mas apenas em dois trechos delimitados: um na Praia do Campeche e um no Norte da Praia dos Ingleses. Só pela manhã até as 9h e à tarde a partir das 17h, e apenas se o cão cumprir seis exigências simultâneas previstas no Decreto Municipal nº 29.014/2026.

Nas demais praias da cidade e na maioria dos municípios vizinhos — incluindo Palhoça e Governador Celso Ramos — cães seguem proibidos na faixa de areia. A exceção universal é o cão-guia acompanhando pessoa com deficiência visual.

Não existe lei federal nem lei estadual de Santa Catarina sobre o tema. Cada município decide o seu, e é por isso que a regra muda ao atravessar uma ponte.

O que vale em cada cidade

CidadeCães na areiaNormaObservação
FlorianópolisPermitido em 2 trechos, com horárioLC nº 785/2026 + Decreto nº 29.014/2026Campeche e Ingleses, áreas delimitadas por mapa oficial
PalhoçaProibidoLei nº 193/1994Multa dobra a cada reincidência
Governador Celso RamosProibidoLei nº 1.955/2025Fiscalização reforçada na temporada
BiguaçuNão verificadoSem norma específica localizada; confirmar na prefeitura
São JoséNão verificadoSem norma específica localizada; confirmar na prefeitura
BombinhasProibidoCódigo de Posturas municipalUma das fiscalizações mais rígidas do estado
GaropabaProibidoLC nº 1.469/2010, art. 148
Balneário CamboriúProibidoLegislação municipalExceção para cão-guia
Itapoá e Balneário PiçarrasProibidoLegislação municipalExceção para cão-guia

Onde escrevemos "não verificado", é porque não localizamos norma publicada — e preferimos dizer isso a deduzir. Deduzir aqui significa o tutor levar o cão, tomar multa e descobrir que o guia estava errado.

Florianópolis: o que mudou em 2026

Por décadas, a regra foi proibição total. O Código de Posturas do Município (Lei nº 1.224) vedava a circulação de cães na praia, com multas que, segundo levantamento da imprensa local em dezembro de 2025, variavam de R$ 125 a R$ 2.500.

Isso mudou em duas etapas:

  1. Lei Complementar nº 785, de 8 de janeiro de 2026, publicada no Diário Oficial do Município em 23 de janeiro. Alterou o Código de Posturas e a Lei Complementar nº 94/2001 "a fim de permitir a presença de cães em praias no Município de Florianópolis", mas deixou os locais e horários para regulamentação futura.
  2. Decreto nº 29.014, de 27 de fevereiro de 2026, publicado no mesmo dia e em vigor desde 28 de fevereiro. É esse documento que define onde, quando e sob quais condições.

Onde exatamente

O decreto autoriza a circulação exclusivamente nas áreas previamente delimitadas pelo Poder Público, conforme os mapas do Anexo Único. São dois trechos, de aproximadamente 200 metros cada:

  • Praia do Campeche — trecho nas proximidades da Rua Radialista Dakir Polidoro, no Sul da Ilha;
  • Praia dos Ingleses — trecho Norte, nas proximidades do Morro das Feiticeiras.

Fora desses dois trechos, em qualquer outra praia da cidade, a proibição continua valendo. Estar na Praia do Campeche não basta: é preciso estar no trecho demarcado.

Quando

PeríodoHorário permitido
ManhãAté as 9h
TardeA partir das 17h

Entre 9h e 17h, não é permitido. A janela evita o horário de maior movimento e também o pico de calor — o que, do ponto de vista clínico, é uma boa notícia: areia quente queima coxim, e esse é um atendimento de verão que vemos com frequência.

As seis exigências — e elas são cumulativas

O artigo 1º, §1º do decreto condiciona a circulação ao atendimento simultâneo de seis requisitos. Faltando um, o cão não pode entrar:

  1. Identificação por coleira ou plaqueta contendo nome e telefone do tutor;
  2. Carteira de vacinação atualizada, apresentável;
  3. Comprovação de vermifugação regular;
  4. Acompanhamento por tutor maior de 18 anos;
  5. Comportamento sociável, sem histórico de agressividade;
  6. Não estar em cio ou pré-cio.

Além disso, o §2º obriga o tutor a recolher imediatamente as fezes e descartá-las em local apropriado, sob pena das sanções da legislação municipal.

Cães potencialmente perigosos

O artigo 3º trata separadamente dos cães de raças ou perfis considerados potencialmente perigosos: eles só podem circular em praias, parques, praças ou vias públicas com focinheira e conduzidos por tutor maior de 18 anos. O próprio decreto define o que entra nessa classificação, incluindo o histórico comprovado de agressões.

Palhoça

Cães estão proibidos nas praias do município. A norma é a Lei nº 193, de 1994, publicada em 20 de abril daquele ano, que proíbe a permanência e a circulação de cães nas praias de Palhoça. Isso alcança a orla inteira — Guarda do Embaú, Praia do Sonho, Pinheira e demais.

Duas particularidades da lei de Palhoça:

  • o valor da multa foi delegado ao Poder Executivo, que o regulamenta por decreto — por isso o valor e a intensidade da fiscalização variam conforme o local e a época;
  • em caso de reincidência, o valor da multa é dobrado a cada nova infração.

Circula na internet a informação de que a Praia da Pinheira seria exceção. Não localizamos norma publicada que sustente isso e a Lei nº 193/1994 não abre exceção por praia. Até que apareça decreto em contrário, trate como proibido.

Governador Celso Ramos

Cães estão proibidos na faixa de areia, com exceção do cão-guia. A Lei Municipal nº 1.955, de 4 de novembro de 2025, reforçou a vedação e estabeleceu fiscalização reforçada durante a temporada. Tutor flagrado é multado.

Vale o aviso prático: a cidade tem grande oferta de hospedagem que aceita pets — Ganchos, Palmas, Armação da Piedade. Hospedagem pet friendly não é praia liberada. São coisas diferentes, e a confusão entre as duas é a origem de boa parte das multas.

Biguaçu, São José e o restante da Grande Florianópolis

Não localizamos norma municipal publicada e específica sobre cães em praias nesses municípios. Isso não significa liberado — pode significar que a regra está dentro de um Código de Posturas mais amplo, ou que não há regulamentação. Antes de ir, confirme diretamente com a prefeitura ou a Guarda Municipal. Vamos atualizar esta seção assim que confirmarmos.

Bate-volta: as cidades vizinhas

  • Bombinhas — proibido, e com uma das fiscalizações mais duras do estado. A Taxa de Preservação Ambiental cobrada na entrada da cidade não dá direito a levar o pet à praia. As fontes divergem sobre qual dispositivo do Código de Posturas se aplica, mas convergem na proibição e na multa.
  • Garopaba — proibido, conforme o Código de Posturas municipal (Lei Complementar nº 1.469/2010, artigo 148).
  • Balneário Camboriú, Itapoá e Balneário Piçarras — proibição total na faixa de areia, com exceção do cão-guia.

Três informações erradas que você vai encontrar em outros guias

Esta seção existe porque, ao levantar as fontes para este texto, encontramos os mesmos três erros repetidos em vários sites — inclusive em publicações recentes.

1. "Lei estadual 4.597/2005 proíbe animais ferozes nas praias de SC." Essa lei é do estado do Rio de Janeiro, não de Santa Catarina. Ela altera a Lei estadual fluminense nº 3.205/1999 e é regulamentada pelo Decreto RJ nº 38.363/2005. Santa Catarina não possui legislação estadual própria sobre circulação de animais em praias, e também não existe norma federal sobre o tema. Tudo é municipal.

2. "O Decreto 21.332/2020 proíbe cães nas praias de Florianópolis." Guias publicados até meados de 2026 ainda repetem isso. Esse quadro foi alterado pela LC nº 785/2026 e pelo Decreto nº 29.014/2026. Quem seguir a informação antiga vai deixar de aproveitar dois trechos hoje liberados.

3. "Em Florianópolis pode levar cachorro na praia." Meia verdade, e das perigosas. Pode em dois trechos delimitados, em duas janelas de horário, cumprindo seis requisitos simultâneos. Nas outras praias da cidade e fora dos horários, continua proibido e continua multado.

O que o CRMV-SC pensa sobre isso

Por transparência: o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV-SC) manifestou-se contrário à presença de animais de companhia nas praias, e a UFSC chegou a transformar os riscos envolvidos em objeto de pesquisa.

As preocupações são legítimas e sanitárias: contaminação da areia por fezes, parasitas transmissíveis, risco de acidentes com banhistas e estresse do próprio animal em ambiente cheio.

Nossa leitura, como consultório de dermatologia veterinária: a lei liberou dois trechos, e tutor vai levar o cão. Faz mais diferença explicar como reduzir risco — para o cão, para os banhistas e para a areia — do que fingir que a ida não vai acontecer. É o que vem a seguir.

O que a praia faz na pele do seu cão

Atendemos exclusivamente dermatologia e endocrinologia veterinária, e o verão traz sempre os mesmos quadros depois dos fins de semana de praia. Não é para assustar — é para você saber o que observar.

Seis coisas que a praia cobra da pele

1. Otite externa. Água entra no conduto auditivo, e a umidade retida cria o ambiente que leveduras e bactérias adoram. Cães de orelha pendente ou com conduto estreito têm risco maior. É o motivo número um de consulta pós-verão.

2. Dermatite úmida aguda — o "hot spot". Uma área fica úmida, o cão lambe e coça, e em poucas horas surge uma lesão avermelhada, quente e dolorida, que cresce rápido. Costuma aparecer no pescoço, na lateral da face ou na garupa.

3. Queimadura solar. Cães de pelagem clara ou rala, e áreas despigmentadas — plano nasal, ponta de orelha, barriga — queimam de verdade. Barriga é traiçoeira: o cão rola na areia, expõe a região, e a areia ainda reflete luz.

4. Coxim queimado. Areia ao meio-dia atinge temperatura suficiente para causar lesão nas almofadinhas. A janela de horário do decreto ajuda bastante nisso, mas o trajeto até a areia — asfalto, calçadão — também conta.

5. Irritação por areia e sal. Areia acumula em dobras, entre os dedos e na virilha, e funciona como abrasivo. O sal que seca sobre a pele resseca e provoca coceira. Em cão que já tem alergia de fundo, é o gatilho que faz o quadro voltar.

6. Parasitas. Vegetação de restinga e áreas sombreadas na borda da praia são território de pulga e carrapato. E aqui vale a lembrança regional: no clima da Grande Florianópolis, com inverno ameno e umidade alta o ano todo, pulga não tem estação — o controle é contínuo, não sazonal.

O checklist de 5 minutos depois da praia

  1. Enxágue com água corrente para tirar sal e areia. Insista entre os dedos, nas dobras, nas axilas e na virilha.
  2. Seque bem, principalmente as orelhas, as dobras e os espaços interdigitais. Umidade retida é o que inicia a maior parte dos problemas.
  3. Olhe as orelhas. Vermelhidão, odor diferente, cera escura, o cão balançando a cabeça ou coçando: sinal para avaliar.
  4. Passe a mão pelo corpo inteiro, procurando carrapato, pulga, corte, ponto quente ou área dolorida.
  5. Cheque os coxins — rachadura, vermelhidão, sensibilidade ao toque.

Cada um desses passos tem detalhe que faz diferença, principalmente na secagem da orelha e na conferência dos coxins. O passo a passo completo está em o que fazer com o cachorro depois da praia.

Quando procurar avaliação

Procure atendimento se, depois do passeio, aparecer:

  • coceira que não passa em 24 a 48 horas;
  • área avermelhada que cresce rápido ou que o cão não deixa você tocar;
  • odor na orelha, secreção, ou cabeça balançando com frequência;
  • claudicação ou lambedura insistente de uma pata;
  • lesão de pele que volta toda vez que ele vai à praia.

Esse último ponto merece atenção. Quadro que repete raramente é só efeito da praia — em geral existe uma condição de fundo, alérgica ou hormonal, e a praia apenas revela. Cão que faz otite todo verão, ou que descama e perde pelo sempre na mesma época, costuma ter causa que só aparece quando alguém investiga.

Uma observação honesta para fechar: nada aqui substitui exame presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição, porque lesões diferentes se parecem muito entre si, e tratar o sintoma errado é o que faz um caso simples virar um caso crônico.

Seu cão faz otite todo verão? Coça sempre depois da praia?

Quando o problema volta, raramente é só a praia. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo e acompanhamos a evolução — com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária, para cães e gatos da Grande Florianópolis.

Falar com a recepção e agendar a avaliação

Fontes consultadas

Consulta realizada em 13 de agosto de 2026.

Divergência registrada: as fontes citam o Código de Posturas de Florianópolis ora como Lei nº 1.224/1974, ora como Lei nº 1.224/1987. O texto do Decreto nº 29.014/2026 remete a "Lei n. 1.244, de 1974". Mantivemos a referência sem o ano, por não ser possível resolver a divergência com as fontes disponíveis.

Se você curte passear com o cão pela cidade, veja também o nosso guia de cafés pet-friendly em Florianópolis e São José.

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta veterinária. As regras municipais mudam por decreto e por portaria de temporada — confirme sempre com a prefeitura antes de ir.


Responsável técnica: Suzyély Dyba, médica-veterinária com atuação exclusiva em dermatologia e endocrinologia veterinária. CRMV-SC 10128.

Perguntas frequentes

Pode levar cachorro na praia em Florianópolis?

Sim, mas apenas em dois trechos delimitados — um na Praia do Campeche e um no Norte da Praia dos Ingleses — e apenas de manhã até as 9h ou à tarde a partir das 17h, cumprindo os seis requisitos do Decreto Municipal nº 29.014/2026. Nas demais praias da cidade, continua proibido.

Qual o horário permitido para cães nas praias de Florianópolis?

Pela manhã até as 9h e à tarde a partir das 17h. Entre 9h e 17h não é permitido, nem mesmo nos trechos liberados.

Pode levar cachorro na praia em Palhoça?

Não. A Lei nº 193/1994 proíbe a permanência e a circulação de cães nas praias do município, incluindo Guarda do Embaú, Praia do Sonho e Pinheira. Em caso de reincidência, o valor da multa dobra a cada nova infração.

Preciso levar a carteira de vacinação do meu cão para a praia?

Em Florianópolis, sim. A apresentação de carteira de vacinação atualizada é um dos seis requisitos do decreto, junto com a comprovação de vermifugação regular, a identificação com nome e telefone do tutor e o acompanhamento por tutor maior de 18 anos.

Meu cão fica coçando depois da praia. É normal?

Coceira leve que passa em algumas horas costuma ser irritação por sal e areia. Coceira que persiste além de 24 a 48 horas, ou que se repete a cada ida à praia, merece avaliação: pode haver uma alergia ou uma alteração hormonal de fundo que a praia apenas revela.