Sinal na pelagem
Queda de pelo e falhas no pelo em cães: o que a distribuição das falhas revela
Nem toda queda de pelo é a mesma coisa. Existe a troca normal, existe o pelo que o cão remove sozinho de tanto se lamber e existe o pelo que simplesmente não cresce mais. Os três parecem iguais de longe e levam a investigações completamente diferentes. O que separa um do outro é, em grande parte, onde as falhas estão.
Conteúdo em revisão técnica
Este texto foi redigido a partir de literatura de dermatologia veterinária e ainda aguarda a revisão da veterinária responsável. Ele não está listado nos buscadores e não substitui uma consulta. Para orientação sobre o seu pet, agende uma avaliação presencial.
Pendências para publicação: revisão clínica da veterinária responsável.
A primeira pergunta não é quanto pelo caiu
É se o cão tirou o pelo ou se o pelo saiu sozinho. Essa única distinção divide a investigação em dois caminhos que quase não se cruzam.
Pelo removido por autotrauma (lambedura, mordida, coceira) aponta para uma causa que provoca desconforto na pele. Pelo que sai sem que o animal encoste nele aponta para o folículo: alguma coisa interrompeu o ciclo de crescimento.
Existe ainda a troca fisiológica, que é normal: o pelo cai de forma difusa, sem áreas peladas, e a pele por baixo continua íntegra, sem vermelhidão nem descamação.
O que observar em casa
- Você vê o cão lambendo, mordendo ou coçando a região que está falhada?
- As falhas são simétricas dos dois lados do corpo? Simetria sem coceira aponta para causas internas.
- Como está a pele embaixo da falha: normal, avermelhada, escurecida, com crostas, com pontinhos pretos, engrossada?
- As falhas são arredondadas e bem delimitadas, ou difusas, com o pelo apenas ralo?
- O pelo voltou a crescer depois da última tosa ou de alguma ferida cicatrizada?
- Houve mudança no peso, na sede, no apetite ou na disposição no mesmo período?
Fotografar a região em dias diferentes ajuda a mostrar a evolução durante a consulta. As fotos são um registro para você levar. Não fazemos diagnóstico por imagem.
Padrões e para onde cada um aponta
- Falhas onde o cão alcança e lambe
- patas, virilha, flancos, base da cauda. É autotrauma: a causa está no que provoca a coceira, não no folículo.
- Falhas arredondadas com descamação, com ou sem coceira
- dermatofitose (a chamada micose), foliculite bacteriana e demodicose entram na lista. Dermatofitose é transmissível a pessoas e a outros animais, o que torna a confirmação laboratorial importante.
- Falhas simétricas no tronco, poupando cabeça e patas, sem coceira
- é o padrão que mais levanta suspeita de causa hormonal. A pele costuma estar mudada mesmo sem lesão aparente: mais fina ou mais grossa, escurecida.
- Pelo que não volta a crescer depois de tosa ou de cicatrização
- aponta para o folículo, e não para a superfície. Também é um dos sinais que fazem pensar em alteração endócrina.
- Falhas no focinho, ao redor dos olhos e nas patas, com feridas ou crostas
- podem indicar doenças imunomediadas. São menos comuns e, em geral, exigem biópsia para confirmação.
Como é investigada
- Tricograma
- exame dos pelos no microscópio. Mostra em que fase do ciclo os folículos estão e se as pontas estão quebradas, sinal de que o pelo foi removido pelo próprio animal.
- Raspado de pele
- procura ácaros que vivem no folículo ou na superfície.
- Citologia
- identifica bactérias e leveduras em quantidade acima do normal, que costumam acompanhar as falhas.
- Pesquisa de dermatófitos
- indicada quando o padrão sugere micose, sobretudo em casas com crianças, com outros animais ou com pessoas imunossuprimidas.
- Biópsia de pele
- reservada aos casos em que os exames de superfície não explicam o quadro, ou quando há suspeita de doença imunomediada ou de alteração do folículo.
- Exames laboratoriais e hormonais
- entram quando o padrão das falhas e os sinais fora da pele apontam para uma causa interna.
Quando a pelagem é o primeiro aviso de uma doença interna
O crescimento do pelo é regulado por hormônios. Quando essa regulação muda, o pelo cai, demora a voltar e a pele perde qualidade. Isso costuma acontecer antes de qualquer outro sinal chamar atenção.
É por isso que uma queixa de pelagem pode terminar em diagnóstico endócrino, e por que a avaliação de pele e de hormônio na mesma consulta encurta o caminho.
Quando procurar um especialista
- As falhas estão aumentando ou aparecendo em novos lugares.
- O pelo não voltou depois de uma tosa.
- As falhas são simétricas dos dois lados e o cão não coça.
- A pele embaixo da falha mudou de cor, de textura ou tem feridas.
- Há sinais fora da pele: peso, sede, apetite ou energia diferentes.
- Alguém da casa também apresentou lesões de pele.
Perguntas frequentes
- Queda de pelo em cachorro é normal no verão?
- A troca sazonal existe e é normal: o pelo cai de forma difusa e a pele por baixo continua íntegra, sem falhas visíveis, sem vermelhidão e sem coceira. Quando aparecem áreas sem pelo, pele alterada ou coceira, não é troca de pelo.
- Falha redonda sem pelo é sempre micose?
- Não. Dermatofitose é uma das causas, mas foliculite bacteriana e demodicose produzem lesões parecidas. O tratamento é diferente em cada caso, e a dermatofitose é transmissível a pessoas. Por isso a confirmação laboratorial faz diferença.
- Suplemento para pelo resolve?
- Suplementos podem apoiar a qualidade da pelagem, mas não corrigem a causa de uma falha. Se o pelo está sendo removido por coceira, ou se não está crescendo por uma alteração interna, o suplemento não muda o desfecho.
- Meu cão perde pelo mas não coça. Ainda assim é caso de dermatologia?
- Sim, e é o quadro em que a avaliação conjunta de pele e hormônio faz mais diferença. Queda de pelo sem coceira é um dos motivos mais frequentes de encaminhamento ao especialista.
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A consulta começa por onde os tratamentos anteriores costumam parar: história completa, exame de toda a pele e das orelhas, exames de superfície feitos na hora e retorno marcado para conferir a evolução. Método e acompanhamento, sem promessa de cura e sem prazo mágico.
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