Alergia
Alergia alimentar em cães e gatos: como ela realmente se investiga
Alergia alimentar coça o ano inteiro, não respeita estação e não aparece em exame de sangue. É também uma das causas mais confundidas de coceira crônica, porque o teste que a diagnostica exige disciplina e falha por detalhes pequenos. Abaixo, os sinais, o motivo de os testes comerciais não servirem e como a dieta de eliminação funciona.
Conteúdo em revisão técnica
Este texto foi redigido a partir de literatura de dermatologia veterinária e ainda aguarda a revisão da veterinária responsável. Ele não está listado nos buscadores e não substitui uma consulta. Para orientação sobre o seu pet, agende uma avaliação presencial.
Pendências para publicação: revisão clínica da veterinária responsável.
O que é alergia alimentar (e o que não é)
Alergia alimentar é uma reação do sistema imune a um componente da dieta, na maioria dos casos a uma proteína. É diferente de intolerância alimentar, que não envolve o sistema imune, e diferente de "a ração não caiu bem".
O alérgeno costuma ser um ingrediente ao qual o animal já foi exposto por bastante tempo. Não existe ingrediente naturalmente hipoalergênico: o que importa é se aquele animal específico já reagiu àquilo.
Ração sem grãos também não é sinônimo de dieta para alérgicos. As proteínas de origem animal estão entre as mais envolvidas, e retirar o grão não muda esse ponto.
Sinais que o tutor observa
- Coceira sem estação: o ano inteiro, sem melhorar no inverno nem no verão.
- Em cães: coceira em orelhas, patas, virilha, axilas e região perianal.
- Em cães: otite que volta, às vezes como o único sinal por meses.
- Em gatos: lambedura excessiva com falhas simétricas no pelo; feridinhas com crosta no pescoço e na cabeça; lesões nos lábios ou na boca.
- Em parte dos casos, sinais digestivos junto: fezes amolecidas, mais evacuações por dia, vômitos ocasionais, gases.
- Início em qualquer idade, inclusive em animais que comem a mesma ração há anos.
Por que exames de sangue, saliva e pelo não diagnosticam
Existem testes comerciais que prometem identificar alergia alimentar a partir de uma amostra de sangue, de saliva ou de pelo. Nenhum deles é aceito como método diagnóstico em dermatologia veterinária: os resultados não se reproduzem de forma confiável e costumam apontar ingredientes aos quais o animal não reage na prática.
O efeito colateral é caro. O tutor retira da dieta uma lista de ingredientes com base em um resultado que não se sustenta, o animal continua coçando e o tempo passa sem que o diagnóstico avance.
O único método reconhecido é o teste de dieta de eliminação seguido de provocação.
Como funciona o teste de dieta de eliminação
- Escolha da dieta
- uma dieta com fonte proteica a que o animal nunca foi exposto, ou com proteína hidrolisada. A hidrólise quebra a proteína em fragmentos pequenos demais para o sistema imune reconhecer. A escolha depende do histórico alimentar completo, e por isso é definida na consulta.
- Exclusividade total
- durante o teste, nada além da dieta escolhida e água. Petisco, sobra de comida, biscoito de adestramento, pasta de dente com sabor e medicamento palatável entram na conta e podem invalidar semanas de trabalho.
- Tempo suficiente
- o teste dura semanas, não dias. A pele precisa de tempo para responder, e conclusões tiradas cedo demais produzem falso negativo.
- Provocação
- no fim do período, o alimento anterior é reintroduzido. Se os sinais voltam, o diagnóstico está confirmado. Sem essa etapa, o teste fica incompleto.
- Controle do resto
- pulgas, infecções secundárias e outras alergias precisam estar sob controle durante o período. Caso contrário, a coceira que sobra é atribuída à dieta por engano.
Alergia alimentar e alergia ambiental convivem com frequência
Um animal pode ter as duas coisas ao mesmo tempo. Quando isso acontece, controlar apenas uma delas produz melhora parcial: o quadro fica melhor, mas não fica bom, e aparece a impressão de que "o teste não funcionou".
Essa é uma das razões pelas quais o teste de dieta é conduzido dentro de um plano maior, com o restante do quadro sob controle e com reavaliação marcada.
Quando investigar alergia alimentar
- A coceira não tem estação: acontece o ano inteiro, com a mesma intensidade.
- Há otite de repetição sem outra causa identificada.
- Há sinais de pele e sinais digestivos ao mesmo tempo.
- O animal já respondeu parcialmente a tratamentos para alergia ambiental.
- A coceira começou depois de uma mudança de alimentação. Ou começou sem mudança nenhuma, o que também acontece.
Perguntas frequentes
- Ração hipoalergênica de pet shop serve para o teste?
- Não necessariamente. O teste exige uma dieta escolhida a partir de tudo o que aquele animal já comeu, e nem todo produto vendido como hipoalergênico atende a esse critério. A dieta do teste é uma decisão clínica, tomada com o histórico alimentar na mão.
- Posso dar petisco durante o teste?
- Não. Qualquer alimento fora da dieta pode manter os sinais e invalidar o resultado, inclusive petisco natural, restos de comida e medicamento com sabor. Se for preciso recompensar o animal durante o período, a recompensa é definida junto com a dieta.
- Existe exame de sangue para alergia alimentar?
- Existem testes vendidos com essa promessa, mas eles não diagnosticam alergia alimentar. O diagnóstico é feito por dieta de eliminação seguida de provocação, e não por exame laboratorial.
- Gato também tem alergia alimentar?
- Sim. Em gatos ela costuma aparecer como lambedura excessiva, falhas no pelo, feridinhas no pescoço e na cabeça ou lesões na boca. O teste segue a mesma lógica, com o desafio adicional de controlar o acesso à rua e à comida de outros animais da casa.
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