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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
nov. de 202610 min de leitura

Carrapato em cachorro em Florianópolis: capivaras, trilhas e o que checar na volta

Achou carrapato no cachorro? Veja onde ele se esconde, como tirar sem espremer nem queimar, o que a capivara tem a ver com a febre maculosa em SC e quando procurar o veterinário.

Cão deitado e capivara sentada frente a frente, com uma lupa no meio ampliando um pequeno carrapato na ponta de um talo de capim

Achou carrapato em cachorro? Tire o quanto antes, com uma pinça, segurando o carrapato rente à pele e puxando com calma. Não esprema, não queime e não passe nada para ele soltar. Depois, observe o local e o comportamento do cão nas semanas seguintes. Na volta de trilha ou gramado, é a checagem do corpo que encontra o carrapato cedo.

Na Grande Florianópolis, com trilhas de Mata Atlântica e capivaras em bairros da Ilha, vale saber o que olhar na volta do passeio. Abaixo, onde o carrapato se esconde, como tirar, o que a capivara tem a ver com isso e quando procurar o veterinário.

Onde o carrapato se esconde no cachorro?

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda checar o cão todo dia, ainda mais depois do passeio. O órgão aponta os lugares em que o carrapato costuma ser encontrado:

  • dentro e em volta das orelhas;
  • em volta das pálpebras;
  • embaixo da coleira;
  • embaixo das patas da frente, nas axilas;
  • entre os dedos;
  • entre as patas de trás;
  • em volta do rabo.

Passe a mão devagar pelo corpo e afaste o pelo para enxergar a pele. Segundo o CDC, o carrapato é mais difícil de ver em cães de pelo longo e escuro. Esse minuto já faz parte do roteiro de 5 minutos depois da praia, e vale igual na volta da trilha.

Cão sentado com três lupas que ampliam a orelha, a coleira e a pata da frente, como numa checagem do corpo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Carrapato em cachorro: o que fazer e como tirar com segurança

O Manual Veterinário MSD orienta tirar o carrapato o quanto antes, para reduzir o risco de doença e o dano à pele. O passo a passo, segundo o manual e o CDC:

  1. Use uma pinça, nunca a mão desprotegida. O manual explica que algumas doenças do carrapato passam para quem o retira por pequenos cortes na pele ou pelo contato com mucosas.
  2. Segure o carrapato o mais perto possível da pele do cão.
  3. Puxe devagar e com firmeza, sem dar tranco. O CDC avisa que o tranco pode quebrar a parte da boca do carrapato e deixá-la presa na pele.
  4. Lave as suas mãos depois.

O Ministério da Saúde e o CDC orientam a retirada em pessoas, e o manual MSD, no cão. Juntos, eles apontam o que não fazer:

  • Espremer ou esmagar o carrapato com as unhas. O Ministério da Saúde explica que isso pode liberar bactérias capazes de entrar por pequenas feridas na pele.
  • Queimar ou furar. O Ministério da Saúde desaconselha encostar no carrapato objetos quentes, como fósforo e cigarro, ou agulhas. O manual MSD também pede para evitar o fósforo quente.
  • Passar produto caseiro. O CDC desaconselha vaselina, esmalte ou qualquer outra substância para o carrapato soltar. Isso pode agitá-lo e fazer com que ele libere líquido infectado na pele.

Se o cão estiver com muitos carrapatos, não tente tirar todos em casa. O manual MSD orienta levar o animal ao veterinário. A infestação pesada machuca a pele e aumenta o risco de anemia e de outras complicações.

Picada de carrapato faz mal para a pele do cachorro?

Pode fazer. O carrapato não é inseto: é um aracnídeo, parente das aranhas e dos ácaros, como os da sarna em cachorro. Ele se prende à pele e se alimenta de sangue, explica o Manual Veterinário MSD.

Segundo o manual, a ferida do carrapato pode abrir caminho para infecção bacteriana e até para bicheira, a infestação por larvas de mosca. A infecção que se instala por cima é a piodermite, explicada no texto sobre cachorro com bolinhas na pele.

Por isso, o manual pede atenção ao lugar de onde o carrapato saiu. Se ele ficar vermelho ou inchar, vale levar o cão ao veterinário logo.

Carrapato em cachorro é perigoso? As doenças que vão além da pele

Pode ser, porque o carrapato transmite doenças ao cão. Algumas delas atingem o sangue e são chamadas de hemoparasitoses. Entre as principais estão a babesiose e a erliquiose.

Elas aparecem na região. Um trabalho de conclusão de curso de 2019 revisou exames de cães da Grande Florianópolis. Entre os positivos, apareceram os agentes da babesiose, da erliquiose, da anaplasmose e da rangeliose. O da babesiose foi o mais frequente.

Essas doenças não são assunto de dermatologia. Quem investiga é o veterinário clínico geral, e o diagnóstico, segundo o manual MSD, é feito com exame de sangue.

Os sinais de alerta são gerais. Na erliquiose, o manual cita febre, falta de apetite e desânimo. Quando as plaquetas caem, podem aparecer sangramento pelo nariz, sangue na urina ou nas fezes e manchas roxas na pele ou na gengiva.

O CDC lembra que esses sinais podem levar de 7 a 21 dias, ou mais, para aparecer depois da picada. Por isso, observe o apetite e o comportamento do cão nas semanas seguintes. Sangramento pede atendimento imediato, como explicamos no fim do texto.

Capivara, carrapato-estrela e febre maculosa: o que vale para Florianópolis?

As capivaras voltaram à Ilha de Santa Catarina por volta de 2010, segundo reportagem do NSC Total de 2025. A reportagem cita grupos em bairros como Itacorubi e Coqueiros, no Jardim Botânico e nas lagoas do Peri e da Conceição.

Segundo a mesma reportagem, a febre maculosa preocupa a população. O manual de febre maculosa do Ministério da Saúde, de 2022, ajuda a separar dois cenários.

  • No Sudeste, a forma grave da doença é transmitida principalmente pelo carrapato-estrela. Ali, cavalos e capivaras mantêm a população desse carrapato, e a capivara ajuda a bactéria a circular.
  • Em Santa Catarina, parece predominar a febre maculosa da Mata Atlântica, de quadro mais brando. Até a publicação do manual, não havia relato de morte por ela. O principal transmissor é outro carrapato, o Amblyomma ovale.

E aqui entra o cão. Segundo o manual, as pessoas podem ter contato com esse carrapato em casa e em volta dela. Ele chega com cães que andam soltos em áreas de Mata Atlântica e voltam parasitados. Uma dissertação de 2012 da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) encontrou o Amblyomma ovale em cães da Grande Florianópolis.

O mesmo manual, de 2022, registrava Santa Catarina como o segundo estado com mais casos de febre maculosa, atrás de São Paulo. Segundo a reportagem do NSC Total, em 2025 um laboratório da UFSC estudava os carrapatos e os agentes de doença associados às capivaras. Para o tutor, o recado prático é o mesmo: checar o cão na volta da trilha, do gramado ou da beira da lagoa.

Carrapato em cachorro pega em humano?

O carrapato pode passar do cão para a casa e picar pessoas. O CDC explica que o animal leva o carrapato de fora para dentro, onde ele pode picar quem mora ali. Por isso, a checagem na volta protege a família também.

O CDC descreve ainda um carrapato capaz de se instalar dentro de casas e canis. É o Rhipicephalus sanguineus, que o Ministério da Saúde chama de carrapato do cão urbano. A dissertação da UDESC também o encontrou em cães da Grande Florianópolis. Ou seja, morar em apartamento não tira o cão da conta.

Se alguém da casa tiver febre ou manchas na pele dias ou semanas depois de tirar um carrapato, procure um médico, como orienta o CDC. A pele da pessoa é avaliada por ele.

Como prevenir carrapato em cachorro nas trilhas e gramados?

Segundo o Manual Veterinário MSD, a medida mais eficaz é manter o cão longe dos lugares preferidos do carrapato. Em geral, são o capim alto e a borda entre a mata e o gramado.

  • No passeio. Em trilha, gramado ou beira de lagoa, mantenha o cão no caminho aberto, longe do capim alto e da borda da mata.
  • No quintal. O manual indica cortar o capim alto, tirar o mato e aparar a vegetação.
  • Na volta. Confira orelhas, pálpebras, coleira, axilas, dedos, virilha e rabo. O CDC recomenda fazer isso todo dia.
  • Carrapaticida, só o prescrito pelo veterinário. O CDC orienta conversar com o veterinário sobre a prevenção indicada para aquele cão e sobre as doenças de carrapato da região.
  • Nada de produto por conta própria. Repelente de gente só com orientação veterinária, como explicamos no texto sobre maruim e borrachudo em cachorro.

Se o cão também se coça, lembre da pulga. Por aqui, ela não tem temporada, como mostra o texto sobre pulga em cachorro o ano todo.

Quando procurar o veterinário

Procure atendimento veterinário imediato se o cão tiver sangramento pelo nariz, sangue na urina ou nas fezes, ou manchas roxas na pele ou na gengiva. Vale o mesmo se ele ficar muito abatido e parar de comer depois de ter tido carrapato. Vá ao veterinário que acompanha o cão ou a um serviço de emergência veterinária, e conte que ele teve carrapato.

Leve o cão ao veterinário, sem esperar muitos dias, se:

  • ele estiver com muitos carrapatos ao mesmo tempo;
  • o lugar da picada ficar vermelho, inchado ou virar ferida;
  • ele tiver febre, comer menos ou ficar desanimado depois de ter tido carrapato;
  • a coceira ou as feridas continuarem depois que o carrapato saiu.

Febre, apetite e sangramento são assunto do clínico geral. Já a pele que segue com ferida, crosta ou coceira pode pedir avaliação dermatológica. Se a coceira dispara de madrugada, o texto sobre cachorro coçando de noite separa o que é urgência do que pode esperar a consulta.

Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação com dermatologista veterinário em São José é presencial, no consultório em Barreiros.

Fontes consultadas

Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.

  1. Moriello KA. Ticks of Dogs. Manual Veterinário MSD, versão para tutores, atualizada em setembro de 2024. msdvetmanual.com
  2. Roman N. Ehrlichiosis and Related Infections in Dogs. Manual Veterinário MSD, versão para tutores, junho de 2026. msdvetmanual.com
  3. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Preventing Ticks on Pets, atualizada em 15 de maio de 2024. cdc.gov
  4. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). What to Do After a Tick Bite, atualizada em 9 de junho de 2026. cdc.gov
  5. Ministério da Saúde. Febre maculosa: aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais. Brasília, 2022. Disponível na página de febre maculosa da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC). dive.saude.sc.gov.br
  6. Lavina MS. Ixodofauna de animais silvestres e domésticos no estado de Santa Catarina. Dissertação de mestrado, Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), 2012. udesc.br
  7. Orlandi JM. Estudo retrospectivo da ocorrência de doenças transmitidas por carrapatos em cães na região da Grande Florianópolis, SC. Trabalho de conclusão de curso, Repositório Universitário da Ânima, 2019. repositorio.animaeducacao.com.br
  8. Barcellos M. Há uma superpopulação de capivaras em Florianópolis? Especialistas avaliam impactos. NSC Total, 1º de junho de 2025. nsctotal.com.br

O carrapato saiu, mas a pele do seu cão não ficou boa?

Ferida, crosta ou coceira que continua depois do carrapato merece avaliação. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.

Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Carrapato em cachorro pega em humano?

O carrapato pode passar do cão para a casa e picar pessoas. O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, explica que o animal leva o carrapato de fora para dentro de casa. Por isso, a checagem diária do cão protege também a família. Se alguém tiver febre ou manchas na pele dias ou semanas depois de tirar um carrapato, o CDC orienta procurar um médico.

Posso tirar o carrapato do cachorro com a mão?

Não. O Manual Veterinário MSD orienta usar uma pinça, segurando o carrapato rente à pele e puxando com calma. Na mão desprotegida, algumas doenças do carrapato podem passar por pequenos cortes na pele ou pelo contato com mucosas. O manual também pede para evitar o fósforo quente. Na orientação para pessoas, o Ministério da Saúde e o CDC desaconselham espremer o carrapato com as unhas e passar produto para ele soltar. Se forem muitos carrapatos, leve o cão ao veterinário.

A cabeça do carrapato ficou na pele do cachorro. E agora?

Na orientação para pessoas, o CDC diz que o corpo tende a expulsar esse resto com o tempo, enquanto a pele cicatriza. Se ele não sai com facilidade com a pinça, o CDC orienta deixar como está, sem insistir. No cão, observe o local. Se ficar vermelho ou inchar, o manual MSD orienta levar o cão ao veterinário logo.

Capivara transmite febre maculosa?

Quem transmite a febre maculosa é o carrapato infectado, pela picada. Segundo o manual de 2022 do Ministério da Saúde, no Sudeste a capivara ajuda a manter o carrapato-estrela e a bactéria da forma grave circulando. Em Santa Catarina, parece predominar a forma da Mata Atlântica, mais branda. Ela é transmitida principalmente por outro carrapato, que chega às casas com cães que andam soltos na mata.

Cachorro de apartamento pode ter carrapato?

Pode. O CDC descreve um carrapato capaz de se instalar dentro de casas e canis. É o Rhipicephalus sanguineus, que o Ministério da Saúde chama de carrapato do cão urbano. Uma dissertação de 2012 da UDESC encontrou esse carrapato em cães da Grande Florianópolis. O CDC recomenda checar o cão todo dia, principalmente depois de passeios ao ar livre. Vale também conversar com o veterinário sobre a prevenção indicada para ele.