Os dois picam o cão, mas não são o mesmo inseto. Veja o que se sabe sobre as marcas na barriga e nas orelhas, como proteger o cão e por que repelente de gente não serve.
Maruim e borrachudo picando o cachorro: as marcas na barriga e nas orelhas

Sim, maruim pica cachorro, e o borrachudo também. Os dois são insetos minúsculos que se alimentam do sangue de pessoas e de animais. A diferença está no que se sabe sobre cada um: em cães, a alergia à picada de insetos como o borrachudo está descrita na literatura veterinária. Para o maruim, não encontramos estudo em cães que descreva um quadro de pele próprio.
Na Grande Florianópolis, com rios, lagoas e áreas alagadas perto de casa, essa dúvida aparece todo verão. Abaixo, como separar os dois insetos, o que as marcas podem ser, por que repelente de gente não serve e quando a picada pede consulta.
Maruim e borrachudo é a mesma coisa?
Não. São insetos de famílias diferentes, com hábitos diferentes. O maruim, também chamado de mosquito-pólvora, é do gênero Culicoides. O borrachudo é do gênero Simulium.
| Maruim | Borrachudo | |
|---|---|---|
| Gênero | Culicoides | Simulium |
| Tamanho | De 1 a 3 mm | De 1 a 6 mm |
| Onde se cria | Lama e solo úmido na beira de riachos, lagoas e banhados | Água corrente, como rios e riachos |
| Quando pica mais | Antes e durante o entardecer, e também ao amanhecer | De dia, ao ar livre |
| O que se sabe no cão | Pica o cão, mas não achamos estudo que descreva um quadro de pele próprio | Está entre os insetos ligados à alergia a picadas em cães |
O maruim também pesa na saúde das pessoas. O Ministério da Saúde aponta o maruim como o principal transmissor do vírus Oropouche. Em 2024, o Governo de Santa Catarina lançou, pela FAPESC, editais de pesquisa para enfrentar a superpopulação do inseto no estado.
Maruim pica cachorro? O que se sabe sobre a pele
Que pica, se sabe. O Manual Veterinário MSD registra que o maruim suga o sangue de pessoas e de animais, entre eles cavalos e cães. Em geral, as picadas caem na pele fina e com pouco pelo, como a da barriga e a das orelhas. Essa descrição, porém, vem sobretudo de animais de produção e de cavalos.
Nos cavalos, a alergia à picada do maruim é bem conhecida e tem até apelido, dermatite de verão. Nos cães, não encontramos estudo que descreva um quadro de pele próprio do maruim. Num relato de caso publicado no Canadá, uma cadela com alergia a picadas reagiu a vários insetos ao mesmo tempo, o maruim entre eles. Os autores não puderam dizer qual deles pesava mais.
Por isso, neste texto, o que está descrito para o borrachudo não é atribuído ao maruim. Para o tutor, isso muda pouco: marca que incomoda ou que volta pede exame, seja qual for o inseto.
Borrachudo pica cachorro? As marcas na barriga e nas orelhas
Pica, e a picada dói. Segundo o Manual Veterinário MSD, quem pica é a fêmea, de dia e ao ar livre.
Em cães, a alergia à picada de insetos como o borrachudo aparece nas áreas de pelo ralo. Um artigo publicado no Canadian Veterinary Journal lista o focinho e o dorso do nariz, as orelhas, a virilha, a barriga e as pernas. A coceira está sempre presente. O quadro pode ser sazonal ou durar o ano todo, conforme a região e a presença do inseto.

Segundo o Manual Veterinário MSD, a dermatite por picada de inseto aparece no local da picada. Orelhas, pescoço, cabeça e barriga são áreas frequentes. A lesão costuma formar pequenas bolinhas e placas inchadas, com uma casquinha de sangue no centro, que podem virar pequenas feridas. Na orelha em pé, as lesões aparecem na ponta. Na orelha caída, nas dobras.
Com o tempo, a coceira muda o quadro. O cão se coça, lambe e morde a área. Aparecem crostas, falhas de pelo, pele mais grossa e infecção bacteriana por cima. Essa infecção é a piodermite, que explicamos no texto sobre cachorro com bolinhas na pele. A lambedura insistente num ponto só também pode dar início ao hot spot, a ferida úmida que surge de um dia para o outro.
Como saber se é picada de inseto, pulga ou alergia?
Pela marca, não dá. Uma bolinha vermelha na barriga pode ser picada de inseto ou de pulga, mas também pode ser alergia ou infecção de pele. O manual MSD lembra que vários insetos que picam podem estar presentes ao mesmo tempo e que identificar a espécie é trabalho de entomologista.
Segundo o artigo canadense, o diagnóstico da alergia à picada de insetos parte do exame e do histórico. Ele depende de descartar outras causas de coceira: parasitas, alergia alimentar e dermatite atópica, uma alergia crônica. A melhora com o controle dos insetos ajuda a confirmar.
A pulga merece lugar à parte. A alergia à picada de pulga é a mais conhecida das alergias a picadas. E aqui a pulga não tem temporada, como explicamos em pulga em cachorro o ano todo.
Ajuda muito chegar à consulta com três respostas: onde o cão passeou, em que horário e quando as marcas apareceram ou pioraram.
E nem toda vermelhidão na barriga depois de um dia fora é picada. Sal, areia e sol também irritam essa pele, como mostramos no texto sobre banho de mar em cachorro.
Repelente de gente pode ser usado no cachorro?
Não sem orientação veterinária. O Centro Nacional de Informação sobre Pesticidas dos Estados Unidos é ligado à Universidade Estadual do Oregon. Ele registra casos de animais de estimação expostos em excesso ao DEET, substância comum em repelentes de uso humano. Eles tiveram vômito, tremores, agitação, falta de coordenação e convulsões. O mesmo centro diz que esses casos são raros. Raro não quer dizer seguro para usar por conta própria.
O Manual Veterinário MSD, na versão para tutores, também orienta seguir a recomendação do veterinário no uso de repelentes. Receitas caseiras passadas na pele ficam de fora pelo mesmo motivo. Antes de passar qualquer coisa, converse com o veterinário.
Como proteger o cachorro do maruim e do borrachudo?
Acabar com o maruim no quintal não está ao alcance do tutor. Os criadouros são espalhados e difíceis de achar. Segundo o manual MSD, o controle do maruim mira em reduzir a exposição do animal, e não em eliminar o inseto. Para o borrachudo, o controle em larga escala cabe ao poder público. O que está ao seu alcance:
- Escolher o horário pelo inseto. O maruim pica mais ao entardecer e ao amanhecer. O borrachudo pica de dia, perto de água corrente.
- Escolher o trajeto. No verão, o passeio mais fresco é o do começo e do fim do dia, justamente o horário do maruim. Nessas horas, prefira caminhos longe de beira de rio, lagoa e banhado.
- Ventilador onde o cão descansa. O maruim voa mal, e o manual MSD indica aumentar a circulação de ar com ventilador para reduzir as picadas em canis e abrigos.
- Telas de malha fina em portas e janelas, como recomenda o Ministério da Saúde contra o maruim. O borrachudo é pequeno o bastante para passar por muitas telas comuns.
- Quintal limpo, com folhas e frutos caídos recolhidos, outra recomendação do Ministério da Saúde.
- Repelente, só o indicado pelo veterinário para aquele animal.
Quando a picada de inseto pede consulta?
Primeiro, a urgência. Se, depois de um ataque de insetos, o cão ficar abatido ou com dificuldade para respirar, procure na hora um serviço veterinário de emergência. Não espere a consulta. O manual MSD registra que o borrachudo às vezes ataca em enxame, com muitas picadas de uma vez.
Fora disso, se as marcas somem em poucos dias e o cão não fica se coçando, observe. Marque a avaliação quando aparecer:
- coceira que não deixa o cão em paz ou que atrapalha o sono;
- crostas, feridas, falhas de pelo ou pele mais grossa na barriga, na virilha ou nas orelhas;
- marcas que voltam a cada passeio ou a cada verão;
- cão que já trata alergia e não melhora, um quadro que discutimos em tratamos alergia há meses sem melhora.
Se a coceira dispara de madrugada, o texto sobre cachorro coçando de noite separa o que é urgência do que pode esperar a consulta.
Quando a coceira volta todo verão, a picada pode ser só o gatilho, e a causa de fundo, uma alergia que ainda não foi investigada. Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação com dermatologista veterinário em São José é presencial, no consultório em Barreiros.
Fontes consultadas
Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.
- Hall J, White J, Bourque A. Diagnostic dermatology: insect bite hypersensitivities. Canadian Veterinary Journal, 2007. PMC2082006
- Hendrix CM. Flies and Mosquitoes of Dogs. MSD Veterinary Manual, versão para tutores, atualizada em junho de 2026. msdvetmanual.com
- Šlapeta J. Biting Midges of Animals. MSD Veterinary Manual, revisão de outubro de 2026. msdvetmanual.com
- Tomich L. Insect Bite Dermatitis Affecting the Pinna in Animals. MSD Veterinary Manual, revisão de junho de 2026. msdvetmanual.com
- Ministério da Saúde. Oropouche. gov.br/saude
- Ministério da Saúde. Leishmaniose visceral. gov.br/saude
- FAPESC. Governo do Estado concede R$ 12 milhões para projetos envolvendo estudo e controle dos mosquitos maruim e Aedes aegypti, 3 de julho de 2024. fapesc.sc.gov.br
- National Pesticide Information Center, Oregon State University. DEET General Fact Sheet, 2008. npic.orst.edu
Seu cão volta do passeio com marcas na barriga ou nas orelhas?
Quando a coceira se repete, vale descobrir o que está por trás dela. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.
Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.
Dra. Dyba · CRMV-SC 10128
Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.
Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.
Perguntas frequentes
Picada de maruim no cachorro passa sozinha?
Se as marcas somem em poucos dias e o cão não fica se coçando, basta observar. Leve para avaliação se a coceira continuar, se aparecerem crostas, feridas ou falhas de pelo, ou se as marcas voltarem a cada passeio. Não passe pomada, repelente de gente nem receita caseira por conta própria.
Maruim transmite leishmaniose para o cachorro?
O transmissor da leishmaniose é outro inseto. Segundo o Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral é transmitida pela picada do flebotomíneo, conhecido como mosquito-palha, asa-dura ou birigui, de cor amarelada e com as asas erguidas quando pousa. O maruim é apontado pelo Ministério como o principal transmissor do vírus Oropouche em pessoas. Qualquer suspeita de leishmaniose no cão pede avaliação veterinária.
Borrachudo pica cachorro dentro de casa?
O borrachudo prefere picar fora de casa. Segundo o Manual Veterinário MSD, a fêmea pica ao ar livre, durante o dia, e o inseto se cria em água corrente. Por isso, o passeio perto de rio e cachoeira pesa mais. Ele também é pequeno o bastante para passar pela malha de muitas telas comuns.
Dá para acabar com o maruim no quintal?
Eliminar, não. Segundo o Manual Veterinário MSD, o maruim se cria em lama e solo úmido, em criadouros espalhados e difíceis de achar, e o controle mira em reduzir a exposição do animal. Em casa, ajudam o quintal limpo, sem folhas e frutos caídos, telas de malha fina e ventilador onde o cão descansa. Repelente, só com orientação veterinária.
