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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
set. de 20267 min de leitura

Cachorro com bolinhas na pele: quando é piodermite e por que o antibiótico sozinho não resolve

Bolinhas vermelhas, bolinhas de pus e anéis de casca na barriga costumam ser piodermite, uma infecção bacteriana da pele. Entenda por que ela volta quando só a bactéria é tratada e como se descobre a causa.

Barriga de cão com bolinhas vermelhas, pontos com pus e anéis de descamação

Cachorro com bolinhas na pele: o que costuma ser

Cachorro com bolinhas na pele, principalmente bolinhas vermelhas e bolinhas de pus na barriga, costuma ter piodermite superficial. É uma infecção por bactéria na pele e na base do pelo. Na maioria das vezes ela aparece por causa de outro problema, como alergia, parasita ou doença hormonal. Por isso o tratamento começa por descobrir essa causa.

A bactéria mais envolvida é o Staphylococcus pseudintermedius. Ela vive normalmente na pele do cão sem causar problema. Quando alguma coisa desequilibra a pele, ela encontra espaço para se multiplicar e vira infecção.

A diretriz internacional sobre essa infecção, da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas de Animais de Companhia (ISCAID), explica por que ela volta com tanta frequência. A causa de fundo costuma ser difícil de achar e de controlar. Voltamos a esse ponto adiante, porque ele é o centro de todo o tratamento.

Como são as bolinhas da piodermite

A piodermite segue uma sequência de lesões que o tutor consegue reconhecer em casa:

  • bolinhas vermelhas pequenas, na base do pelo;
  • bolinhas de pus, parecidas com espinhas;
  • crostas amareladas, quando as bolinhas se rompem;
  • anéis de casca, com o centro mais escuro e a borda descamando. O nome técnico é colarete epidérmico, e ele é uma pista forte de piodermite;
  • falhas de pelo pequenas e arredondadas, comuns em raças de pelo curto, que deixam o pelo com aspecto de "roído por traça".

As regiões mais atingidas são barriga, virilha, axilas e tronco. Por isso tantos tutores descrevem o problema como bolinhas vermelhas na barriga do cachorro. A coceira pode aparecer ou não.

Às vezes vem junto um cheiro forte, que volta poucos dias depois do banho. Esse cheiro costuma indicar excesso de bactéria ou de levedura, um fungo que também vive na pele. Explicamos esse sinal no post sobre cachorro com cheiro ruim depois do banho.

Veterinária encostando uma lâmina na pele de um cão para exame de citologia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Bolinhas na barriga do cachorro filhote

Filhotes podem ter uma forma própria, chamada impetigo. Aparecem bolinhas de pus na barriga sem pelo, em geral sem coceira. Em muitos filhotes o quadro é leve.

Mesmo assim, vale levar para avaliação quando as bolinhas não melhoram, se espalham ou o filhote parece abatido. Nessa idade, sarna e micose também entram na lista de suspeitas.

Parece piodermite, mas pode ser outra coisa

Nem toda bolinha é bactéria. Por isso a avaliação presencial faz diferença. Os principais diferenciais são:

  • sarna demodécica, causada por um ácaro que vive dentro do folículo do pelo. Ela também forma falhas e bolinhas, e muitas vezes vem com infecção bacteriana junto. Explicamos em sarna em cachorro;
  • micose, uma infecção por fungo que forma anéis parecidos com os colaretes. Os sinais estão em micose em cachorro e gato;
  • hot spot, uma ferida úmida que surge de repente e cresce em poucas horas. Tem aparência diferente, mas também envolve bactéria. Veja o que fazer com hot spot em cachorro;
  • picada de pulga e reação alérgica, que formam bolinhas vermelhas sem infecção.

Esses quadros podem aparecer juntos no mesmo cão. É comum a sarna ou a alergia abrirem caminho para a bactéria.

Por que a piodermite volta depois do antibiótico?

O ciclo mais comum no consultório é este. O cão tem bolinhas e toma antibiótico. Ele melhora, o antibiótico acaba e, semanas depois, as bolinhas voltam. Cada nova rodada tende a funcionar um pouco menos.

A piodermite volta porque a causa de fundo continua ativa. As principais causas são:

  • alergias, como a dermatite atópica, a alergia à picada de pulga e a alergia alimentar. Estão entre as causas mais frequentes;
  • doenças hormonais, como hipotireoidismo e Cushing, que enfraquecem a defesa da pele. Piodermite que volta em cão adulto sem coceira é um sinal clássico para investigar hormônio. Os sinais estão em hipotireoidismo em cachorro e em Cushing em cachorro;
  • parasitas, como a pulga e o ácaro Demodex, da sarna demodécica;
  • dobras de pele e umidade, comuns em raças de focinho curto e em pele que demora a secar.

Enquanto a causa não aparece, o antibiótico trata cada episódio e a doença de fundo prepara o próximo. Se o seu cão vive esse ciclo com a alergia, veja por que o tratamento da alergia às vezes não funciona.

O que é MRSP e por que o exame importa

Cada rodada de antibiótico escolhida sem exame favorece as bactérias que resistem a ele. Nos últimos anos cresceu na dermatologia veterinária o Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina, conhecido pela sigla MRSP.

Resistir à meticilina significa escapar de toda a família das penicilinas e de parentes próximos. Além disso, o MRSP costuma resistir a vários outros grupos de antibiótico ao mesmo tempo. Isso reduz muito as opções de tratamento.

O consenso da Associação Mundial de Dermatologia Veterinária (WAVD) sobre essas bactérias resistentes recomenda diagnóstico com exame, uso criterioso de antibiótico e higiene em casa. A resposta, então, pede método e não medo: escolher o antibiótico pelo exame, principalmente em quem já passou por várias rodadas.

Como é feito o diagnóstico das bolinhas na pele

Citologia. É o exame mais usado na rotina da dermatologia. Uma lâmina encostada na lesão é lida no microscópio durante a consulta. Ela mostra se há bactéria, se há levedura junto e como está a inflamação. Com isso, a conduta muda no mesmo dia.

Cultura com antibiograma. A cultura faz a bactéria crescer no laboratório. O antibiograma testa quais antibióticos funcionam contra ela naquele cão, e o resultado leva alguns dias. É indicada quando a piodermite volta, quando não respondeu ao tratamento, quando a lesão é profunda ou quando há suspeita de bactéria resistente.

A coleta é feita de preferência numa bolinha de pus intacta ou num colarete. O ideal é colher antes de começar o antibiótico. Amostra colhida no meio do tratamento pode dar falso negativo, ou seja, deixar de mostrar a bactéria que está lá.

Na prática, se o seu cão está tomando antibiótico e a piodermite é de repetição, avise na hora de agendar. Às vezes vale esperar alguns dias antes da coleta. Quem decide isso é a veterinária, olhando o caso.

Investigação da causa. Inclui raspado de pele para procurar ácaros, controle de pulga, investigação de alergia e, quando o perfil pede, exames hormonais. Na Dermato Animal, em São José, pele e hormônio são avaliados pela mesma especialista, o que encurta o caminho até a causa.

O que ajuda até a consulta

  • não use sobra de antibiótico nem pomada de um tratamento anterior;
  • evite banho medicamentoso por conta própria nos dias antes da consulta, porque ele atrapalha a coleta;
  • tire fotos das lesões em dias diferentes, com luz natural, para mostrar na consulta;
  • anote quantas vezes o cão já tomou antibiótico, qual, por quanto tempo e em quanto tempo as bolinhas voltaram.

Essa linha do tempo, sozinha, já diz muito sobre o caso.

Quando procurar avaliação sem esperar

  • bolinhas que se espalham rápido;
  • dor, febre, apatia ou falta de apetite;
  • lesões profundas, com sangue, secreção ou inchaço;
  • piodermite que já voltou mais de duas vezes;
  • cão que não melhora com o antibiótico em uso.

Fontes

  1. Hillier A, Lloyd DH, Weese JS, et al. Guidelines for the diagnosis and antimicrobial therapy of canine superficial bacterial folliculitis (Antimicrobial Guidelines Working Group of the International Society for Companion Animal Infectious Diseases). Veterinary Dermatology, 2014. https://doi.org/10.1111/vde.12118
  2. Morris DO, Loeffler A, Davis MF, Guardabassi L, Weese JS. Recommendations for approaches to meticillin-resistant staphylococcal infections of small animals: diagnosis, therapeutic considerations and preventative measures. Clinical Consensus Guidelines of the World Association for Veterinary Dermatology. Veterinary Dermatology, 2017. https://doi.org/10.1111/vde.12444
  3. Bajwa J. Canine superficial pyoderma and therapeutic considerations. Canadian Veterinary Journal, 2016. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4713004/

As bolinhas do seu cão voltam toda vez que o antibiótico acaba?

Quando a infecção volta, a causa de fundo ainda está lá. Aqui investigamos a causa, escolhemos o tratamento pelo exame e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.

Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Bolinhas na barriga do cachorro: o que pode ser?

As causas mais comuns são piodermite, que é uma infecção por bactéria, picada de pulga, reação alérgica e sarna. Em filhotes, a forma chamada impetigo é frequente. Muitas vezes duas causas aparecem juntas, como alergia e bactéria. A citologia feita na consulta ajuda a separar o que é bactéria, levedura ou só inflamação, e orienta o próximo passo.

Piodermite canina passa para humanos?

A bactéria mais envolvida, o Staphylococcus pseudintermedius, é adaptada ao cão e raramente causa doença em pessoas saudáveis. Ela pode ser encontrada em pessoas que convivem com o cão, e há relatos de infecção em humanos. Lavar as mãos depois de mexer nas lesões costuma bastar. Pessoas com imunidade baixa devem conversar com o seu médico.

Piodermite canina tem cura?

Cada episódio costuma responder bem quando o tratamento é escolhido com exame e acompanhado até a reavaliação. O que define se ela volta é a causa de fundo. Quando essa causa é controlada, as recaídas tendem a diminuir. Quando ela é crônica, como a dermatite atópica, o objetivo passa a ser controle com acompanhamento, sem prazo fixo.

Por que as bolinhas voltam depois do antibiótico?

Porque o antibiótico trata a infecção, mas a causa que abriu espaço para ela continua ativa. Pode ser alergia, doença hormonal, parasita ou dobra de pele úmida. Sem encontrar essa causa, cada tratamento resolve um episódio e o próximo vem. Rodadas repetidas sem exame ainda favorecem bactérias resistentes, por isso a cultura com antibiograma entra nesses casos.

Existe tratamento caseiro para bolinhas na pele do cachorro?

Não recomendamos tratar em casa antes da consulta. Sobra de antibiótico, pomada ou shampoo antisséptico podem mascarar as lesões e atrapalhar a coleta do exame. Banhos terapêuticos costumam fazer parte do tratamento da piodermite. O produto, a frequência e o tempo de contato são definidos na consulta, conforme o caso.