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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
nov. de 202610 min de leitura

Leishmaniose canina em Florianópolis: o que se sabe e os sinais que aparecem na pele

Florianópolis é área de transmissão da leishmaniose canina desde 2010, segundo a vigilância estadual. Veja os sinais na pele que levam à suspeita, como é o diagnóstico e o que as autoridades orientam para prevenir.

Cão deitado olhando com curiosidade para uma redoma de vidro com um pequeno inseto de asas erguidas dentro

Leishmaniose canina é uma doença causada pelo parasita Leishmania infantum e transmitida pela picada do mosquito-palha. Em Florianópolis, a vigilância estadual considera a cidade área de transmissão da doença em cães desde 2010. Na pele, ela costuma aparecer como descamação, falha de pelo em volta dos olhos, feridas que demoram a fechar e unhas que crescem demais. Esses sinais levantam a suspeita, mas quem confirma é o exame.

O que é leishmaniose canina e como o cachorro pega?

A leishmaniose visceral canina é uma doença do corpo inteiro, de evolução lenta. Segundo o manual do Ministério da Saúde de 2026, o parasita se espalha por órgãos de defesa, fígado e pele.

No Brasil, a principal forma de transmissão é a picada da fêmea do flebotomíneo, o mosquito-palha, segundo o manual do Ministério. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC) descreve o inseto: mede menos de 3 milímetros e é quase transparente. Ele se cria em lugares sombreados, com folhas, frutos e fezes em decomposição.

A doença não passa do cão para as pessoas pelo contato. Segundo a DIVE-SC, ninguém pega leishmaniose por lambida, carinho ou mordida do cão.

Entre cães, a via principal também é o inseto. O manual do Ministério cita outras vias possíveis, como da mãe para os filhotes, o cruzamento e a transfusão de sangue. Mas registra que não há evidência de que elas pesem na manutenção da doença.

A maioria das espécies de mosquito-palha tem hábito de fim de tarde e noite, segundo o manual. A DIVE-SC aponta atividade maior a partir das 17h. O manual do Ministério registra que ele, em geral, não se afasta mais de 1 quilômetro do criadouro.

Ele é outro inseto, diferente dos dois descritos no texto sobre maruim e borrachudo em cachorro.

Leishmaniose canina em Florianópolis: o que se sabe hoje

Os dados mais recentes que encontramos, com a data de cada um:

  • 2010: primeiros casos em cães, no Canto dos Araçás e na Lagoa da Conceição, segundo uma revisão publicada em 2026 por pesquisadores da UFSC.
  • 2017: primeiros casos humanos com infecção dentro da cidade, segundo a DIVE-SC. A mesma revisão conta cinco casos assim entre 2017 e 2022.
  • Até 2024: 1.058 casos registrados em cães, em 11 dos 18 distritos de Florianópolis. O número é da revisão de 2026, que cita como fonte a Secretaria Municipal de Saúde.
  • Março de 2025: a DIVE-SC registra Florianópolis como área de transmissão em cães desde 2010. Nos outros municípios do estado com cães positivos, a infecção provável tinha acontecido, até então, em outros estados.

Não encontramos esse total, nem número mais recente, em boletim oficial publicado. Em 3 de novembro de 2026, o último relatório na página de zoonoses da Prefeitura era do fim de 2022.

A DIVE-SC aponta espécies de flebotomíneo nativas da Mata Atlântica como as prováveis responsáveis pela transmissão entre cães no estado.

E em São José? Não encontramos registro oficial de transmissão no município. Mas a DIVE-SC considera todo o estado uma área receptiva para a doença, com mata favorável ao inseto na maioria dos municípios. E um cão com sinais compatíveis que esteve em Florianópolis nos últimos dois anos já entra como caso suspeito.

Quais são os sinais de leishmaniose canina na pele?

Segundo o manual do Ministério da Saúde, as lesões de pele são os sinais mais comuns em cães diagnosticados. As diretrizes do LeishVet, grupo europeu de especialistas na doença, dizem o mesmo. Os padrões mais descritos são estes:

SinalComo costuma aparecer
DescamaçãoPele que solta escamas, em geral sem coceira, com ou sem falha de pelo. É mais frequente em volta dos olhos e na borda das orelhas
FeridasÚlceras que demoram a cicatrizar, no focinho, nas orelhas, nas patas, na cauda e nos pontos de apoio dos ossos
UnhasCrescimento exagerado, que o veterinário chama de onicogrifose
Focinho e patasMenos comum: perda de cor na ponte do nariz e pele grossa no focinho e nas almofadas das patas

O LeishVet descreve ainda formas com bolinhas, pústulas e nódulos. Nenhum desses sinais é exclusivo da leishmaniose.

Cão sentado com uma lupa sobre a orelha e outra sobre a pata da frente, como num exame atento da pele
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A falha de pelo em volta dos olhos e no focinho também aparece na sarna demodécica. E a descamação com falha de pelo pode ser micose. E o manual do Ministério alerta que outras doenças de pele podem mascarar ou mudar o quadro da leishmaniose. É o exame que separa uma doença da outra.

Leishmaniose canina coça?

A descamação típica não coça. Quando há coceira forte, entram na lista outras causas, como alergia, pulga e sarna, sozinhas ou junto com a leishmaniose. A dermatite atópica é uma delas.

E quando um quadro tratado como alergia não melhora, vale rever a lista inteira de causas, como explicamos no texto e se não for alergia?

Além da pele: que outros sinais a leishmaniose dá?

A DIVE-SC lista, entre os sinais mais frequentes:

  • desânimo, fraqueza e sonolência;
  • perda de apetite e emagrecimento progressivo;
  • problemas nos olhos, como conjuntivite;
  • diarreia com sangue;
  • fraqueza nas patas de trás.

O manual do Ministério cita também linfonodos aumentados e sangramento pelo nariz. Segundo o LeishVet, a doença nos rins pode ser a única manifestação e é a principal causa de morte na leishmaniose canina.

Um cão infectado também pode passar longos períodos sem nenhum sinal, segundo a DIVE-SC. Mesmo assim, ele pode infectar o inseto, como registra o manual do Ministério.

Sangramento pelo nariz, abatimento forte ou um cão que parou de comer pedem atendimento veterinário o quanto antes. Não espere a consulta de pele: procure o veterinário que acompanha o cão ou um serviço de emergência veterinária.

Como é feito o diagnóstico de leishmaniose canina?

Começa pela conversa e pelo exame físico. O manual do Ministério da Saúde destaca a história do cão: de onde ele veio e por onde andou. Conte ao veterinário se ele já morou ou passou temporadas em outra cidade ou estado.

Depois vêm os exames, escolhidos conforme o caso. Em geral, são de três tipos:

  • sorologia: exame de sangue que procura anticorpos contra o parasita;
  • exame parasitológico: procura o parasita em material colhido do cão, como linfonodo ou medula óssea;
  • exame molecular (PCR): detecta o material genético do parasita.

Para a vigilância de Santa Catarina, o caso se confirma com dois testes de sangue reagentes, um rápido e um ELISA. Os dois são feitos pelo laboratório central do estado. Também vale o exame que encontra o parasita e identifica a espécie.

O LeishVet lembra que um nível baixo de anticorpos não fecha o diagnóstico e pede investigação complementar.

Leishmaniose canina tem cura?

Segundo o manual do Ministério da Saúde, o tratamento reduz a quantidade de parasitas e, em alguns cães, melhora os sinais. Mas ele não elimina o parasita do organismo. O cão continua portador, capaz de infectar o inseto, e os sinais podem voltar.

O manual diz que manter o tratamento com orientação veterinária ajuda a aumentar a expectativa e a qualidade de vida do cão. E recomenda que o cão em tratamento use um produto repelente contra o inseto, como a coleira impregnada.

No Brasil, o tratamento de cães segue a Portaria Interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008. Ela proíbe tratar a leishmaniose do cão com produto de uso humano ou sem registro no Ministério da Agricultura. Conferimos em 3 de novembro de 2026, na página de leishmaniose visceral canina da DIVE-SC. Por isso, este texto não indica produto.

No folder de 2026, a DIVE-SC mantém a eutanásia como a medida de saúde pública recomendada para cães positivos. O tratamento é escolha do tutor, sob responsabilidade do veterinário, e não conta como medida de controle. A nota técnica de março de 2025 descreve três caminhos, que o veterinário discute com o tutor:

  1. a eutanásia, seguindo as normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária;
  2. o contato com a vigilância do município, para orientação sobre a eutanásia nos lugares onde existe esse serviço;
  3. o tratamento com medicamento regulamentado pelo Ministério da Agricultura, como medida individual, sob responsabilidade do tutor e com acompanhamento veterinário constante.

Nenhum desses caminhos é uma decisão fácil, e o tutor não precisa tomá-la sozinho.

Leishmaniose canina passa para humanos?

A leishmaniose visceral é uma zoonose, ou seja, atinge cães e pessoas. Mas não passa por contato com o cão. O caminho é o mosquito-palha, que pica um animal infectado e depois pica uma pessoa. Na cidade, segundo a DIVE-SC, esse animal geralmente é o cão.

Em pessoas, a DIVE-SC lista febre irregular por mais de sete dias, falta de apetite, emagrecimento, fraqueza, aumento da barriga e anemia. Quem tiver esses sinais deve procurar uma unidade de saúde. O tratamento existe e é gratuito no SUS.

Leishmaniose canina é de notificação obrigatória?

Em Santa Catarina, sim. A Portaria SES nº 1.610, de 9 de dezembro de 2024, incluiu a leishmaniose visceral canina na lista estadual de notificação compulsória. Conferimos em 3 de novembro de 2026, na nota técnica da DIVE-SC.

A obrigação é de todo profissional de saúde, em serviço público ou privado. O veterinário comunica o caso suspeito ou confirmado à vigilância do município, que inicia a investigação.

Como prevenir leishmaniose em cachorro?

A prevenção mira o inseto e o lugar onde ele se cria. A DIVE-SC orienta:

  • manter casa e quintal limpos, sem fezes de animais, frutos caídos e restos de madeira;
  • podar as árvores e recolher folhas e frutos;
  • embalar bem o lixo e vedar a composteira.

Em área de transmissão, a orientação da DIVE-SC para o cão inclui:

  • ambiente com tela de malha fina;
  • evitar passeios ao entardecer;
  • coleira impregnada com inseticida ou outro repelente próprio para cães.

Sobre a coleira, o manual do Ministério da Saúde reúne estudos em Montes Claros (MG), Mossoró (RN) e Camaçari (BA). Neles, as áreas com cães encoleirados tiveram cerca de metade da infecção canina das áreas sem coleira. Ou seja, a coleira reduziu a infecção, mas não a eliminou.

A escolha do produto se combina com o veterinário que acompanha o cão.

Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação com dermatologista veterinário em São José é presencial, no consultório em Barreiros.

Fontes consultadas

Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.

  1. Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC). Nota Técnica nº 003/2025: notificação dos casos de leishmaniose visceral canina no Go.Data. 17 de março de 2025. dive.saude.sc.gov.br
  2. DIVE-SC. Leishmaniose visceral canina: página e folder informativo, atualizado em março de 2026. dive.saude.sc.gov.br
  3. Ministério da Saúde. Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral. 2ª edição. Brasília, 2026. gov.br/saude
  4. Solano-Gallego L, Miró G, Koutinas A, et al. LeishVet guidelines for the practical management of canine leishmaniosis. Parasites & Vectors, 2011. pmc.ncbi.nlm.nih.gov
  5. Dambrós BP, Rosar AS, Stoco PH, et al. Visceral Leishmaniasis in Southern Brazil: an overview of current epidemiology. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2026. doi.org
  6. Prefeitura de Florianópolis, Secretaria Municipal de Saúde. Zoonoses: leishmaniose visceral. pmf.sc.gov.br

Seu cão está com descamação, falha de pelo em volta dos olhos ou uma ferida que não fecha?

Lesão de pele que não melhora merece investigação. Doenças diferentes se parecem na pele, e a avaliação dermatológica é o ponto de partida para descobrir a causa. Atendemos com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.

Se houver suspeita de leishmaniose, o caso é notificado à vigilância epidemiológica do município e segue as orientações dela, como pede a nota técnica da DIVE-SC.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.

Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Leishmaniose canina tem cura?

Segundo o manual do Ministério da Saúde, o tratamento reduz a quantidade de parasitas e pode melhorar os sinais em alguns cães. Mas ele não elimina o parasita do organismo. O cão continua portador, capaz de infectar o mosquito-palha, e os sinais podem voltar. Por isso, o acompanhamento veterinário é contínuo, e o cão em tratamento deve usar um produto repelente contra o inseto.

Leishmaniose canina passa para humanos?

Não por contato. Segundo a DIVE-SC, ninguém pega leishmaniose por lambida, carinho ou mordida do cão. A doença passa pela picada do mosquito-palha, que se infecta ao picar um animal com o parasita, em geral o cão, na cidade. Em pessoas, febre irregular por mais de sete dias, emagrecimento, fraqueza e aumento da barriga pedem avaliação numa unidade de saúde.

Leishmaniose canina coça?

Em geral, a lesão de pele mais descrita não coça. O manual do Ministério da Saúde e as diretrizes do LeishVet falam em descamação sem coceira, com ou sem falha de pelo. Mas outras doenças de pele, como alergia, pulga e sarna, podem aparecer junto e mudar o quadro. Por isso, a coceira, presente ou ausente, não confirma nem descarta a leishmaniose.

Moro em São José. Meu cachorro corre risco de leishmaniose?

Não encontramos registro oficial de transmissão em São José. A DIVE-SC registra Florianópolis como área de transmissão em cães desde 2010 e considera todo o estado uma área receptiva para a doença. Um cão com sinais compatíveis que esteve em Florianópolis nos últimos dois anos já entra como caso suspeito. Por isso, conte ao veterinário por onde o cão costuma andar.

Como prevenir leishmaniose em cachorro?

A prevenção mira o mosquito-palha. A DIVE-SC orienta manter casa e quintal limpos, sem fezes de animais, frutos caídos e restos de madeira, e embalar bem o lixo. Em área de transmissão, recomenda tela de malha fina, evitar passeios ao entardecer e usar coleira impregnada com inseticida ou outro repelente próprio para cães. A escolha do produto se combina com o veterinário.