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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
set. de 20268 min de leitura

Micose em cachorro e gato: como reconhecer, como confirmar e por que passa para a família

A falha de pelo redonda é o sinal mais conhecido da micose, mas está longe de ser o único. O fungo passa para outros animais e para pessoas, e a cura só se confirma com exame.

Gato com falha de pelo arredondada na cabeça sendo examinado com lâmpada ultravioleta

O que é micose em cachorro e gato

Micose em cachorro, na maioria das vezes, é a dermatofitose: uma infecção causada por fungos que se alimentam do pelo, da pele e às vezes das unhas. Ela provoca falhas de pelo, descamação e crostas. Passa para outros animais e para pessoas, e só se confirma com exame. No gato, vale o mesmo.

Os fungos que causam a micose se chamam dermatófitos. O mais comum é o Microsporum canis, que tem o gato como principal reservatório. Outros vêm do solo, como o Microsporum gypseum, ou de roedores, como o Trichophyton.

Eles se alimentam da queratina, a proteína que forma o pelo e a camada mais externa da pele. O pelo atingido fica frágil, quebra e cai. É daí que vêm as falhas.

Sintomas de micose em cachorro

  • falhas de pelo arredondadas, com descamação ou crosta na borda;
  • pelos quebrados na área, como se tivessem sido cortados;
  • lesões no focinho, nas orelhas e nas patas, principalmente em cães que cavam, porque o fungo do solo entra por ali;
  • coceira variável, de nenhuma a moderada.

Na pata, a micose pode ser confundida com outras causas de lambedura. Explicamos essas causas em por que o cachorro lambe a pata.

Filhote com falhas de pelo redondas e descamativas no focinho e na pata
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Sintomas de micose em gato

  • falhas pequenas na cabeça, nas orelhas e nas patas da frente;
  • descamação parecida com caspa;
  • às vezes, nada visível.

Esse último ponto importa. Segundo as diretrizes europeias para doenças de gatos (ABCD), muitos gatos adultos carregam o fungo sem mostrar lesão. Mesmo assim, transmitem para outros animais e para pessoas. Os quadros mais fortes aparecem em filhotes e em gatos com a imunidade baixa.

A falha redonda engana

A imagem clássica da lesão redonda ajuda, mas engana nos dois sentidos. Outras doenças também formam falhas redondas: sarna demodécica, infecção bacteriana da pele (a piodermite) e alergia. Já a micose pode aparecer como uma descamação espalhada, sem forma nenhuma.

Por isso, a aparência sozinha não fecha o diagnóstico. Explicamos as falhas causadas por ácaros em sarna em cachorro. Caroços e pústulas estão em cachorro com bolinhas na pele. Quando a falha aparece igual nos dois lados do corpo, a causa pode ser hormonal, tema de cachorro perdendo pelo dos dois lados.

Quem tem mais risco

  • filhotes de cachorro e de gato;
  • animais recém-adotados, vindos de abrigo, gatil, canil ou feira;
  • gatos de pelo longo, como o persa;
  • cães que cavam ou vivem em quintal de terra;
  • animais em tratamento longo com corticoide ou com outra doença de base;
  • casas com vários animais.

Por que a micose importa para a família

A dermatofitose é uma zoonose, ou seja, uma doença que passa do animal para as pessoas. Em humanos, costuma aparecer como uma mancha vermelha arredondada que coça, no braço, no pescoço, no rosto ou na barriga.

O consenso da Associação Mundial de Dermatologia Veterinária (WAVD) lembra que complicações graves dessa transmissão são muito raras. Mesmo assim, a mancha merece atenção. Se alguém da casa estiver com uma lesão assim, procure o seu médico e conte isso na consulta do pet. Essa informação, sozinha, já coloca a micose no topo da lista de suspeitas.

Crianças, idosos e pessoas com a imunidade baixa pedem mais cuidado. Um informe técnico da Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul recomenda evitar o contato desses grupos com o animal infectado. Ninguém precisa se desfazer do pet por isso. O caminho é diagnosticar e tratar direito.

O fungo também fica na casa

O fungo não vive só no animal. Ele fica em pelos e escamas que caem no sofá, na cama, na caixa de transporte e na escova. As diretrizes ABCD estimam que os esporos, as formas de resistência do fungo, sobrevivem no ambiente por cerca de um ano.

Por isso, a limpeza da casa faz parte do tratamento. O consenso da WAVD aponta a limpeza física, com remoção de pelos e poeira, como a medida mais importante para descontaminar o ambiente.

Como é feito o diagnóstico da micose

Na consulta, examinamos a pele e escolhemos os exames que fazem sentido para aquele caso. Os mais usados são estes.

Lâmpada de Wood. É uma luz ultravioleta que faz alguns pelos infectados brilharem em verde. Serve como triagem rápida. Só funciona com parte das cepas de Microsporum canis, então um resultado negativo, sozinho, não encerra a investigação.

Tricograma. É o exame dos pelos no microscópio. Pode mostrar o fungo dentro do pelo quebrado.

Cultura fúngica. É o exame que confirma o fungo e diz qual é a espécie. Pelos e escamas são semeados num meio próprio e observados por dias. Amostras positivas costumam crescer em 7 a 10 dias. Para declarar um resultado negativo, a placa precisa ficar em observação por 14 a 21 dias. Sabemos que a espera é difícil, por isso dizemos o prazo antes da coleta.

PCR. É um exame que procura o material genético do fungo. É mais rápido e ajuda no diagnóstico inicial. Como detecta fungo vivo ou morto, não serve para confirmar a cura: um animal já curado pode dar positivo por restos de fungo no pelo.

Tratamento de micose em cachorro: por que parece curar e volta

A pele melhora antes de o fungo ir embora. As falhas começam a fechar em algumas semanas, e é natural achar que acabou. Se o tratamento para nessa hora, os esporos que ainda estão no pelo e na casa infectam o animal de novo.

A cura se comprova com cultura negativa. O tratamento costuma durar de quatro a seis semanas, às vezes mais. Em casas com vários gatos, o plano inclui todos os animais, com ou sem lesão.

O plano costuma combinar três frentes: medicação pela boca, tratamento do pelo por fora e limpeza física do ambiente. A escolha dos medicamentos depende da espécie, da idade e da saúde do animal. Por isso não indicamos remédio nem pomada aqui.

Micose em cachorro tem tratamento caseiro?

Muita gente procura o que passar em casa antes da consulta. O problema é que pomadas e receitas caseiras podem melhorar a aparência sem eliminar o fungo. A automedicação também tem risco. O informe da Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul alerta que ela, principalmente com corticoide em pomada, pode agravar o quadro e atrasar o diagnóstico.

Enquanto isso, o animal segue soltando esporos pela casa. O melhor passo é confirmar se é micose mesmo, já que alergia, sarna e infecção bacteriana podem ter aparência parecida. Se a coceira é o sintoma principal, vale ler também sobre dermatite atópica em cachorro.

E se não for micose?

Lesão que não cicatriza, com secreção ou ferida funda, principalmente em gato que sai de casa, pede outra hipótese: a esporotricose. Ela também é chamada de micose, mas é uma infecção mais profunda, que também passa para pessoas.

Na nossa região, o tema merece atenção. Desde 2024, a esporotricose em animais é de notificação obrigatória em Santa Catarina. Em Florianópolis, os casos confirmados em gatos passaram de 157 em 2024 para 282 em 2025, contados até 11 de dezembro. Os números são da nota técnica da Vigilância em Saúde do município (dados verificados em setembro de 2026).

A esporotricose é bem diferente da dermatofitose, e tratamos dela em gato com feridas no pescoço e no queixo.

Quando procurar avaliação

  • falhas de pelo que aumentam ou se multiplicam;
  • animal recém-adotado com qualquer falha ou descamação;
  • pessoa da casa com mancha vermelha redonda que coça;
  • vários animais da casa com lesão;
  • lesão que não cicatriza ou tem secreção.

Fontes

  1. Moriello KA, Coyner K, Paterson S, Mignon B. Diagnosis and treatment of dermatophytosis in dogs and cats: Clinical Consensus Guidelines of the World Association for Veterinary Dermatology. Veterinary Dermatology, 2017. doi.org/10.1111/vde.12440
  2. Frymus T, Gruffydd-Jones T, Pennisi MG, et al. Dermatophytosis in cats: ABCD guidelines on prevention and management. Journal of Feline Medicine and Surgery, 2013. doi.org/10.1177/1098612X13489222
  3. Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul. Informe Técnico em Saúde Única nº 13: Dermatofitoses. SES-MS, 2026. saude.ms.gov.br
  4. Diretoria de Vigilância em Saúde de Florianópolis. Nota Técnica: Esporotricose Animal. Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, 11 de dezembro de 2025. Divulgada pelo CRMV-SC. crmvsc.gov.br

Seu pet está com falhas de pelo ou alguém da casa começou a ter manchas na pele?

A micose se confirma com exame e se encerra com exame. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e para a casa e acompanhamos até a cura comprovada, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.

Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Micose de cachorro passa para humanos?

Passa. A dermatofitose é uma zoonose e, em pessoas, costuma aparecer como uma mancha vermelha arredondada que coça. Complicações graves são raras. Se alguém da casa estiver com uma lesão assim, procure o seu médico e conte isso ao veterinário do pet. Tratar o animal, os outros pets da casa quando indicado e o ambiente reduz bastante o risco de novos casos.

Micose em gato se cura sozinha?

Em alguns gatos saudáveis, a lesão pode regredir sem tratamento. Mesmo assim, o fungo pode continuar no pelo e na casa, passando para outros animais e para pessoas. Filhotes e gatos com a imunidade baixa podem ter quadros mais extensos. Por isso, a recomendação é confirmar com exame e tratar até a cultura negativa, sem esperar a lesão sumir por conta própria.

Quanto tempo demora o exame de micose?

A cultura fúngica, exame que confirma o diagnóstico e a cura, costuma mostrar o fungo em 7 a 10 dias quando ele está presente. Para declarar um resultado negativo, a amostra fica em observação por 14 a 21 dias. É um exame lento por natureza. Outros exames, como a lâmpada de Wood, dão uma primeira pista mais rápido, mas não substituem a cultura.

O que passar na micose do cachorro?

Não existe um produto que sirva para todo caso. O tratamento costuma juntar medicação pela boca, cuidado com o pelo por fora e limpeza da casa. A escolha depende da espécie, da idade e da saúde do animal. Pomadas usadas por conta própria, principalmente as com corticoide, podem mascarar a lesão e atrasar o diagnóstico. O primeiro passo é confirmar se é micose mesmo.

Como limpar a casa quando o pet tem micose?

O mais importante é tirar fisicamente pelos e escamas: aspirar com frequência, lavar tecidos e cobertores e limpar superfícies antes de qualquer desinfetante. Os esporos podem sobreviver no ambiente por cerca de um ano, por isso a limpeza segue durante todo o tratamento. O plano é orientado na consulta, de acordo com o tamanho da casa e o número de animais.