A queimadura de sol em cachorro atinge a pele clara e com pouco pelo, como focinho, orelhas e barriga. Veja quem tem mais risco, a diferença para a pata queimada no chão quente e quando a pele pede avaliação.
Queimadura de sol em cachorro: focinho, barriga e quem tem mais risco

Sim, existe queimadura de sol em cachorro, e o veterinário a chama de dermatite solar. Ela atinge a pele clara e com pouco pelo, como o focinho sem pigmento, as orelhas e a barriga. O risco é maior no cão de pelo branco ou curto, no de tosa rente e no que toma sol de barriga para cima.
No verão da Grande Florianópolis, vale saber reconhecer os sinais. Abaixo, a diferença para a pata queimada no chão quente, o risco de longo prazo e a prevenção.
O que é queimadura de sol em cachorro?
É a lesão que o ultravioleta, a radiação invisível do sol, causa nas células da pele. Uma revisão do Clinician's Brief, escrita por um dermatologista veterinário, explica que o pigmento da pele e o pelo protegem muito bem contra essa radiação. Onde falta um dos dois, a pele fica exposta.
Por isso os pontos mais atingidos, segundo a revisão, são o dorso do focinho, as orelhas, as axilas, os flancos e a barriga. A revisão faz ainda uma distinção: a queimadura de sol é dano do ultravioleta, e não é a mesma coisa que a queimadura por calor.
Quais cães têm mais risco de queimadura de sol?
- Pele clara e pelo branco ou curto. A revisão cita dálmata, bull terrier, boxer, buldogue, basset hound, beagle e american staffordshire terrier de pele clara. Num estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com 28 cães com dermatite solar, todos tinham pele e pelo claros.
- Focinho sem pigmento. Segundo o Manual Veterinário MSD, a dermatite solar do focinho começa nas áreas sem pigmento em volta das narinas.
- Cão que toma sol deitado. Muitos cães tomam sol de barriga para cima, lembra o MSD. No cão que deita de lado, o lado virado para o sol é o mais atingido, diz a revisão.
- Cão que vive ao ar livre. Morar fora de casa e em região de muito sol estão entre os fatores de risco da revisão.
- Cão de tosa rente. Se o pelo protege, raspar rente reduz essa proteção. Na pelagem dupla, a tosa rente ainda pode deixar falhas, como explicamos no texto sobre alopecia pós-tosa em cachorro.
Segundo os autores do estudo da UFRGS, a doença aparece mais em adultos e idosos, porque é crônica e progressiva. Ali, a idade média no diagnóstico foi de 7,6 anos.
Queimadura de sol no focinho do cachorro: como aparece?
Segundo o MSD, a lesão começa nas áreas sem pigmento em volta das narinas. Com o tempo, o dorso do nariz pode inflamar e até abrir ferida, e tudo piora no verão.
A revisão descreve o começo como vermelhidão e descamação onde a trufa, a ponta do nariz, encontra o pelo. A inflamação derruba o pelo em volta e a lesão avança. Ela melhora e piora conforme a estação.
Aqui mora uma armadilha. O MSD alerta que a dermatite solar do focinho é provavelmente rara. Ela pode ser confundida com lúpus, uma doença do sistema imune que também piora no verão. No lúpus discoide, explica a revisão, a trufa perde a cor primeiro. Na dermatite solar, a trufa pigmentada só é atingida depois.
Por isso, focinho que desbota, descasca ou abre ferida pede avaliação veterinária, que às vezes inclui biópsia.
Por que a barriga do cachorro queima no sol?
No estudo da UFRGS, 82% dos cães tinham lesão na barriga. Os autores apontam três motivos possíveis: muitos cães tomam sol de costas ou de lado, alguns pisos refletem a luz e a barriga tem pouco pelo.
O reflexo pesa também na praia. O MSD lembra que o cão recebe radiação refletida pelo chão, e o CPTEC/INPE informa que a areia pode refletir até 30% da radiação UV. Por isso, o cão deitado na areia recebe, além do sol direto, parte da radiação que volta do chão.
Os primeiros sinais são discretos. A revisão descreve vermelhidão leve, descamação e pele um pouco mais grossa nas axilas e nos flancos. Com a exposição repetida, a pele engrossa, surgem cravos e pode vir uma infecção profunda. A infecção de pele está explicada no texto sobre cachorro com bolinhas na pele.

Queimadura de sol na pata do cachorro ou queimadura de calor no coxim?
Na pata, vale separar duas coisas. A pele clara e de pouco pelo das pernas pode sofrer com o sol. Já a almofada da pata, o coxim, se machuca com o calor do chão.
| Queimadura de sol | Queimadura de calor no coxim | |
|---|---|---|
| Causa | Radiação ultravioleta | Contato com chão quente |
| Onde | Pele clara e de pouco pelo: focinho, orelhas, barriga, axilas e lado de fora das pernas | Almofadas da pata |
| Como aparece | Vermelhidão e descamação que voltam no verão. Com os anos, pele grossa | Cão manca ou se recusa a andar. O coxim forma bolha ou solta pele |
| Prevenção | Sombra e horário | Testar o chão com a mão e passear cedo ou no fim do dia |
Um comunicado da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Washington (WSU) explica que o asfalto ao sol fica muito mais quente que o ar. O texto cita uma medição de 1970, de um estudo sobre queimaduras de contato em pessoas. Sem vento e ao sol, o asfalto pode chegar a cerca de 52 °C com o ar a 25 °C. O número descreve a temperatura do chão, e não mede a lesão na pata do cão.
A lesão do coxim leva um tempo para aparecer, e a pele de cima pode formar bolha ou se soltar. O cão também costuma lamber a pata sem parar, o que pode piorar a lesão. Se a lambedura chamou a sua atenção, veja as outras causas no texto sobre cachorro lambendo a pata.
Para testar o chão, a WSU orienta encostar as costas da mão no piso. Se não der para aguentar sete segundos, está quente demais. A faculdade sugere também passear cedo ou no fim do dia e preferir grama ou terra. Na volta da praia, o roteiro de 5 minutos depois da praia inclui olhar os coxins.
Queimadura de sol pode virar câncer de pele no cachorro?
Pode, em alguns casos. O MSD informa que parte dos carcinomas de células escamosas, um tipo de câncer de pele, é causada pela exposição prolongada ao sol. Eles surgem em geral na parte de baixo da barriga, em cães de pele branca e pelo curto.
Antes do tumor, diz o manual, vem a queratose solar: a pele engrossa e muda de cor. Achar uma área assim é motivo para consulta, e o diagnóstico precoce é importante para o tratamento.
No estudo da UFRGS, cerca de metade dos 28 cães com dermatite solar tinha algum tumor de pele. O carcinoma de células escamosas foi o maligno mais frequente. Os autores ressalvam que não foi possível afirmar que o sol causou todos. É um estudo pequeno, de um hospital, e não mede o risco de cada cão.
Como prevenir queimadura de sol em cachorro no verão de Florianópolis?
A prevenção começa pelo relógio e pela sombra. Segundo o CPTEC/INPE, o índice ultravioleta mostra o pico do dia, por volta do meio-dia solar. No verão, de 70% a 80% da radiação UV do dia chega entre 9h e 15h.
Na escala da Organização Mundial da Saúde, o índice vai de baixo a extremo. Dia nublado não zera o risco, porque parte da radiação atravessa as nuvens. Ele foi pensado para a pele humana. Já o horário e o efeito das nuvens descrevem a radiação que chega ao chão, e ela atinge qualquer pele exposta, inclusive a do cão.
- Horário. O MSD cita evitar o sol nas horas de pico como forma de ajudar a prevenir esse tipo de câncer. Pelo dado do CPTEC/INPE, no verão essas horas vão das 9h às 15h. Para cães de risco, vale deixar praia e passeio longo para fora dessa faixa.
- Sombra. Guarda-sol, árvore ou abrigo. Na praia, lembre que a areia reflete parte da radiação, segundo o CPTEC/INPE.
- Sol em casa. O cão de pele clara que dorme de barriga para cima no quintal também acumula sol. Ofereça um canto de sombra nas horas de pico.
- Tosa. No cão de pele clara, pense duas vezes antes de raspar rente no verão.
- Protetor solar só com orientação veterinária. O MSD avisa que nem todos os protetores solares de uso humano são seguros para cães. Se o seu cão precisar de protetor, quem indica um que ele tolere é o veterinário.
As regras de cada cidade estão no guia de praias que aceitam cachorro na Grande Florianópolis. E o que sal, areia e sol fazem juntos na pele está no texto sobre banho de mar em cachorro.
Como tratar queimadura de sol em cachorro?
Com avaliação veterinária. O MSD é direto: o tratamento depende da causa. Segundo o manual, a investigação pode incluir exames como raspado de pele, cultura e biópsia, conforme o caso. Há três razões para não tratar em casa por conta própria:
- a lesão do focinho pode ser lúpus, e não sol;
- a pele da barriga pode ter uma infecção junto;
- a pele grossa e manchada pode ser queratose solar, que pede acompanhamento.
Por isso, este texto não indica pomada, creme nem receita caseira. Enquanto espera a consulta, mantenha o cão longe do sol direto, a medida que o MSD descreve na dermatite solar.
E nem toda pele vermelha no verão é sol. Ferida úmida que cresce de um dia para o outro pode ser outro quadro, o hot spot em cachorro.
Quando procurar o veterinário
Procure atendimento veterinário o quanto antes se o cão mancar ou não quiser andar depois de pisar em chão quente. Vale o mesmo se o coxim tiver bolha ou pele soltando. Leve-o ao veterinário que o acompanha ou a um serviço de emergência veterinária.
Marque uma avaliação se:
- a vermelhidão no focinho, nas orelhas ou na barriga volta todo verão;
- a trufa está perdendo a cor, descascando ou formando crosta;
- a pele clara da barriga ficou grossa, manchada ou com cravos;
- apareceu ferida, caroço ou crosta que não fecha na pele clara.
Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação com dermatologista veterinário em São José é presencial, no consultório em Barreiros.
Fontes consultadas
Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.
- Moriello KA. Dermatoses nasais em cães. Manual Veterinário MSD, versão para tutores, atualizada em setembro de 2024. msdvetmanual.com
- Tumores de pele em cães. Manual Veterinário MSD, versão para tutores, atualizada em setembro de 2024. msdvetmanual.com
- Resnick AW. Top 5 Sun-Induced Skin Lesions in Dogs. Clinician's Brief, junho de 2014, artigo revisado por pares. cliniciansbrief.com
- Baretta LT, Dhein JO, Lupion CG, Figueiredo CD, Gerardi DG. Occurrence of Cutaneous Neoplasia in Dogs with Actinic Dermatitis in a Veterinary Medical Teaching Hospital, UFRGS, Brazil. Acta Scientiae Veterinariae, 2021. DOI 10.22456/1679-9216.108639
- Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE). O que é Índice Ultravioleta (IUV)? satelite.cptec.inpe.br
- Washington State University College of Veterinary Medicine. Protect your pet's feet from heat, burns. Comunicado de imprensa, 6 de julho de 2017. news.wsu.edu
A pele clara do seu cão fica vermelha ou descasca todo verão?
Antes de qualquer creme, vale saber se é sol, lúpus ou infecção. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.
Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.
Dra. Dyba · CRMV-SC 10128
Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.
Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.
Perguntas frequentes
Posso passar protetor solar de gente no cachorro?
Não por conta própria. O Manual Veterinário MSD avisa que nem todos os protetores solares de uso humano são seguros para cães. Se o seu cão precisar de protetor, quem indica um que ele tolere é o veterinário. Sombra e horário continuam valendo: segundo o CPTEC/INPE, no verão, de 70% a 80% da radiação ultravioleta do dia chega entre 9h e 15h.
O focinho do meu cachorro está ficando rosado. É queimadura de sol?
Pode ser, mas não dá para saber só olhando. O Manual Veterinário MSD alerta que a dermatite solar do focinho é provavelmente rara e pode ser confundida com lúpus, que também piora no verão. No lúpus discoide, a ponta do nariz perde a cor primeiro. Focinho que desbota, descasca ou abre ferida pede avaliação veterinária, que às vezes inclui biópsia.
Cachorro de pelo preto também se queima no sol?
Pode, embora o risco seja menor. Segundo uma revisão do Clinician's Brief, o pigmento da pele e o pelo protegem bem contra o ultravioleta. A mesma revisão lembra que áreas de pelo escuro expostas por muito tempo ao sol forte podem sofrer queimadura por calor, que é outro tipo de lesão. E qualquer área de pele sem pigmento, exposta ao sol por muito tempo, fica predisposta à queimadura solar.
Dia nublado também queima a pele do cachorro?
Pode queimar. O CPTEC/INPE explica que as nuvens reduzem a radiação ultravioleta, mas parte dela atravessa e chega à superfície. Por isso, segundo o órgão, dias nublados também podem oferecer perigo, principalmente para pessoas de pele sensível. O dado é sobre a radiação, que chega a qualquer pele exposta. No cão de pele clara, de focinho sem pigmento ou de tosa rente, sombra e horário valem também nos dias encobertos.
