A taturana queima o cachorro, e em Santa Catarina uma delas, a Lonomia, pode causar sangramento em pessoas. Veja o que fazer no caminho até o atendimento veterinário imediato e o que se sabe sobre cães.
Taturana queimou o cachorro: o que fazer e por que em SC isso pede atenção

A taturana queima cachorro, sim. Segundo o Ministério da Saúde, o contato com as cerdas da lagarta injeta veneno na pele. Em pessoas, isso causa dor em queimação, vermelhidão e inchaço, e na maioria das vezes passa sem gravidade. A exceção é a Lonomia, uma taturana presente em Santa Catarina que pode causar sangramento em pessoas.
Se o seu cão encostou, pisou ou mordeu uma taturana, procure atendimento veterinário imediato, num serviço de emergência veterinária. Não espere a consulta de pele e não espere aparecer sangramento.
A Dermato Animal é um consultório de dermatologia, não um serviço de emergência. Abaixo, o que fazer no caminho, o que se sabe sobre cães e quando a pele que ficou merece avaliação.
O que é a queimadura de taturana?
Taturana é um dos nomes populares da lagarta, a fase de larva das mariposas e borboletas. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC) lista outros, como lagarta-de-fogo, oruga e ruga.
Segundo o Ministério da Saúde, o acidente vem das lagartas de mariposa, e não das de borboleta. O veneno fica guardado nas cerdas, e o envenenamento pelo contato com elas se chama erucismo. O acidente é chamado popularmente de queimadura, e a dor descrita é em queimação.
Não é queimadura de calor. A pata queimada na areia quente e a pele queimada pelo sol são outros quadros, explicados em queimadura de sol em cachorro.
Cachorro pisou ou mordeu uma taturana: o que fazer agora?
Não encontramos orientação oficial de primeiros cuidados para cães. Os passos abaixo vêm das orientações do Ministério da Saúde e do CIATox/SC para pessoas e servem só para o caminho até o atendimento.
- Afaste o cão da lagarta sem encostar nela. O CIATox/SC e a DIVE-SC orientam nunca tocar nas taturanas diretamente com as mãos.
- Lave o local atingido com água fria, se o cão deixar. A orientação oficial para pessoas é lavar com água fria e sabão. No cão, faça a lavagem com água fria e siga o que o serviço de emergência orientar. Se a boca ou o focinho foram atingidos, não perca tempo em casa.
- Tire uma foto nítida da lagarta, com boa luz e sem tocar nela. O Ministério da Saúde explica que identificar a lagarta pode ajudar no diagnóstico.
- Siga para o serviço de emergência veterinária e conte o que aconteceu, a hora e onde o cão foi atingido.
O que não fazer, segundo a orientação do Ministério da Saúde para pessoas:
- espremer, furar, cortar, queimar ou chupar o local;
- coçar a área atingida;
- passar qualquer substância, como álcool, querosene, ervas, pó de café ou urina;
- fechar o local com curativo ou amarrar a pata.
No caminho, vale ligar para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC), no 0800 643 5252. É um serviço público da Secretaria de Estado da Saúde, junto ao Hospital Universitário da UFSC, gratuito e com plantão 24 horas.
O site do CIATox/SC, conferido em 3 de novembro de 2026, informa que o serviço atende também acidentes em que a vítima é um animal. Vale para a população e para veterinários. A ligação dá orientação toxicológica e ajuda a identificar a lagarta, mas não substitui o exame do cão.
Por que em Santa Catarina a taturana pede atenção?
Santa Catarina esteve entre os estados que mais notificaram acidentes com lagartas em pessoas de 2019 a 2023. O boletim epidemiológico de 2024 do Ministério da Saúde contou 2.034 notificações no estado nesse período.
Em 2023, o estado teve um dos maiores coeficientes de incidência do país, com 6,72 casos por 100 mil habitantes. Ficou atrás de Tocantins e Minas Gerais, empatado com o Paraná.
A preocupação principal tem nome: Lonomia. Segundo o Ministério da Saúde, é o único gênero de lagarta com maior relevância para a saúde pública, porque pode causar acidentes graves. Em pessoas, os casos graves podem evoluir com alteração na coagulação, sangramentos e lesão nos rins.
Em Santa Catarina, segundo o CIATox/SC, a Lonomia obliqua ocorre principalmente no Oeste. Nos últimos anos, porém, há registros dela também nas regiões do litoral.
Nem toda taturana é Lonomia. Em 2022, o CIATox/SC registrou 899 atendimentos de acidentes com lagartas em pessoas, e 17 deles envolveram a Lonomia. Mas identificar a espécie é trabalho para quem conhece, e não para a hora do susto.
Como reconhecer a Lonomia?
O CIATox/SC descreve a Lonomia obliqua assim:
- espinhos verdes e ramificados pelo corpo, que lembram pequenos pinheiros;
- corpo marrom-escuro, com uma faixa marrom ao longo das costas, contornada de preto e de branco;
- de 6 a 7 cm de comprimento;
- vive em grupo e, durante o dia, pode ficar reunida nos troncos.
O Ministério da Saúde acrescenta que a cor da Lonomia se confunde com o tronco das árvores, e isso facilita o contato.
As taturanas cabeludas, de pelos longos e sedosos, são de outra família. Segundo o Ministério da Saúde, elas costumam viver sozinhas, e os pelos macios escondem cerdas que também queimam.
Uma delas, a Podalia, tem aspecto de pelúcia e é chamada de lagarta-cachorrinho. Segundo o CIATox/SC, aparece principalmente em região de Mata Atlântica.
O CIATox/SC descreve ainda uma lagarta espinhuda verde-clara, a Automeris, de cor tão chamativa que pode atrair crianças e animais curiosos.
Não use essa descrição para decidir se o cão precisa de atendimento. Quem identifica é o CIATox/SC, pela foto enviada depois da ligação, ou a vigilância epidemiológica do município.
Taturana mata cachorro? O que se sabe sobre cães
A resposta honesta é que não dá para dizer. Não encontramos estudo nem dado oficial sobre acidentes com Lonomia ou com outras taturanas brasileiras em cães. O boletim do Ministério da Saúde e os números do CIATox/SC contam só pessoas.
Em pessoas, a morte é rara. De 2019 a 2023, o Ministério da Saúde registrou 12 óbitos entre quase 27 mil notificações de acidentes com lagartas no país. Três deles foram por Lonomia.
Segundo o mesmo boletim, a gravidade em pessoas está ligada à espécie, a quantas lagartas foram esmagadas e à área atingida.
O dado mais próximo sobre cães vem de um estudo francês com 109 cães e outra lagarta, a processionária do pinheiro, que não é uma das taturanas daqui. Segundo o estudo, o contato com ela provoca reação alérgica local intensa, um quadro diferente do risco de sangramento da Lonomia.
Naqueles cães, 86% tiveram lesão na língua, do inchaço à necrose, e quase metade vomitou. A necrose da língua foi mais comum quando a primeira lavagem da boca aconteceu mais de 6 horas depois do contato. São números de outra lagarta e não dizem o que a Lonomia faz num cão. O que eles mostram é que, naqueles cães, o tempo pesou no resultado.
Os sinais que aparecem depois
Em pessoas, o Ministério da Saúde descreve na Lonomia dor imediata em queimação, vermelhidão e inchaço no local. Os sinais gerais aparecem algumas horas depois, mesmo quando o local já melhorou.
Entre eles estão sangramento na gengiva, manchas roxas, sangramento pelo nariz e sangue na urina. Não encontramos descrição equivalente para cães.
Por isso, siga a orientação de quem atendeu o cão sobre o que observar nas horas seguintes. Tomando como referência os sinais descritos em pessoas, qualquer sangramento, manchas roxas ou sangue na urina no cão é motivo para voltar na hora ao serviço de emergência. Vale o mesmo para vômito ou abatimento.
Onde a taturana aparece e em que época?
Segundo o Ministério da Saúde, o acidente costuma acontecer no contato com o tronco das árvores ou com a vegetação. A DIVE-SC cita árvores frutíferas como goiabeira, ameixeira, pereira, limoeiro e abacateiro, no campo e também na cidade.
O CIATox/SC dá três pistas para olhar o quintal:
- de dia, as taturanas podem estar agrupadas nos troncos, e à noite sobem para a copa para comer as folhas;
- folhas roídas na copa e casulos são sinais a procurar;
- no chão, as fezes lembram grãos secos de pimenta-do-reino.
A época também conta. Segundo o boletim do Ministério da Saúde, no Sul os meses com mais acidentes em pessoas, em 2023, foram novembro, dezembro e janeiro. A fase de lagarta costuma coincidir com o verão.
Como proteger o cão no passeio e no quintal
A prevenção oficial é escrita para pessoas, como olhar o tronco antes de encostar nele. Aplicada ao cão, ela vira rotina:
- nessa época, não deixe o cão cheirar ou lamber troncos e o chão embaixo de árvores frutíferas;
- olhe os troncos das árvores do quintal durante o dia, antes de soltar o cão;
- na volta da trilha ou do sítio, confira as patas, o focinho e a boca. É a mesma rotina que acha o carrapato em cachorro cedo.

Achou uma colônia? A DIVE-SC pede para não matar nem queimar as lagartas, que são animais silvestres. Para identificar a espécie, procure a vigilância epidemiológica do município ou o CIATox/SC.
A queimadura passou, mas a pele não ficou boa. E agora?
Segundo o Ministério da Saúde, em pessoas o quadro local da Lonomia costuma regredir em 24 horas. Bolha e necrose de pele são raras. Para cães, não encontramos esse dado.
Às vezes, o que fica não é a queimadura, e sim o que o cão fez com ela. Lamber e morder um ponto que dói pode abrir uma ferida úmida que cresce rápido, como o hot spot em cachorro.
Se o cão pisou na taturana e segue lambendo a pata semanas depois, a causa pode ser outra, como alergia. Explicamos isso no texto sobre cachorro lambendo a pata.
Em outros problemas de pele, o texto sobre cachorro coçando de noite separa o que é urgência do que pode esperar. Na taturana, o primeiro atendimento não espera.
Ferida, crosta, falha de pelo ou coceira que continua no lugar do contato, depois do atendimento de urgência, merece avaliação. Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação com dermatologista veterinário em São José é presencial, no consultório em Barreiros.
Fontes consultadas
Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.
- Ministério da Saúde. Acidentes por lagartas. gov.br/saude
- Ministério da Saúde. Acidentes por lagartas: perguntas frequentes, atualizada em 10 de fevereiro de 2023. gov.br/saude
- Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Acidentes causados por lagartas peçonhentas no Brasil no período de 2019 a 2023. Boletim Epidemiológico, v. 55, n. 10, 27 de junho de 2024. gov.br/saude
- Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE-SC). Informativo lagartas, julho de 2021. dive.saude.sc.gov.br
- Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC). Lagartas. ciatox.saude.sc.gov.br
- Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC). Atendimento. ciatox.saude.sc.gov.br
- Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC). Identificação de animais e plantas. ciatox.saude.sc.gov.br
- Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC). Boletim Epidemiológico nº II: acidentes por animais peçonhentos, ano 2022. ciatox.saude.sc.gov.br
- Pouzot-Nevoret C e colaboradores. Pine processionary caterpillar Thaumetopoea pityocampa envenomation in 109 dogs: a retrospective study. Toxicon, 2017. PubMed 28356233
A queimadura de taturana passou, mas a pele do seu cão não ficou boa?
Ferida, crosta, falha de pelo ou coceira que continua depois do atendimento de urgência merece investigação. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.
Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis. Em caso de emergência, procure um serviço de emergência veterinária.
Dra. Dyba · CRMV-SC 10128
Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.
Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.
Perguntas frequentes
Taturana mata cachorro?
Não encontramos dado publicado que responda isso para cães. Em pessoas, a morte é rara: o Ministério da Saúde registrou 12 óbitos em quase 27 mil acidentes com lagartas no país, de 2019 a 2023. O maior risco é a Lonomia, que pode causar sangramento em pessoas. Como não dá para saber na hora qual lagarta foi, o cão que encostou numa taturana vai para atendimento veterinário imediato.
Cachorro pisou em lagarta de fogo: o que fazer?
Afaste o cão sem tocar na lagarta com as mãos e tire uma foto nítida dela. A orientação oficial do Ministério da Saúde para pessoas é lavar o local com água fria e sabão e não espremer, furar, coçar nem passar nenhuma substância. No cão, faça a lavagem com água fria, se ele deixar, e siga o que o serviço de emergência veterinária orientar. Leve-o para lá logo. No caminho, o CIATox/SC orienta pelo 0800 643 5252.
Como saber se a taturana é Lonomia?
Segundo o CIATox/SC, a Lonomia tem espinhos verdes que lembram pequenos pinheiros, corpo marrom-escuro com uma faixa nas costas e vive em grupo nos troncos. Mas quem identifica a espécie é o CIATox/SC ou a vigilância epidemiológica do município, pela foto. Não use a aparência para decidir se o cão precisa de atendimento: ele precisa de qualquer forma.
O CIATox/SC orienta quando a vítima é o cachorro?
Segundo o site do CIATox/SC, conferido em 3 de novembro de 2026, sim. Há atendimento na área de toxicologia veterinária, para a população e para veterinários, em acidentes com animais peçonhentos em que a vítima é um animal. O plantão é gratuito e funciona 24 horas pelo 0800 643 5252. A ligação orienta e ajuda a identificar a lagarta, mas não substitui o atendimento veterinário, que deve ser imediato.
A queimadura de taturana deixa marca na pele do cachorro?
Não encontramos dado sobre isso em cães. Em pessoas, o quadro local da Lonomia costuma regredir em 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. No cão, o que fica às vezes é a ferida que ele mesmo abre ao lamber e morder o local. Se, depois do atendimento de urgência, a pele seguir com ferida, crosta, falha de pelo ou coceira, vale uma avaliação dermatológica.
