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Dermato Animal - Dermatologia Veterinária
nov. de 20269 min de leitura

Dermatite por umidade em cachorro: dobras, buldogue francês, pug e shih tzu

A dermatite por umidade em cachorro costuma ser a dermatite de dobra, o intertrigo, comum no pug e no buldogue francês. Veja onde ela aparece, o que a umidade de Florianópolis tem a ver com isso e como secar as dobras.

Buldogue francês sentado, em preto e branco, olha para cima, para uma pequena nuvem com gotas de água suspensas no ar, sobre fundo bege.

A dermatite por umidade em cachorro costuma ser a dermatite de dobra, que o veterinário chama de intertrigo. Ela aparece onde a pele encosta em pele e fica abafada, como no focinho do pug, no rabo do buldogue francês e nos lábios. Ali, atrito, umidade e pouco ar deixam levedura e bactéria crescerem.

Este texto fica na dobra e nas raças de focinho achatado. O cheiro forte que vem do corpo todo e volta logo depois do banho tem texto próprio: cachorro com cheiro ruim depois do banho.

O que é dermatite por umidade em cachorro?

O nome técnico é intertrigo, ou dermatite de dobra. Um estudo do Royal Veterinary College, no Reino Unido, a descreve como uma inflamação superficial da pele nos pontos em que duas superfícies ficam encostadas. Ela resulta de três fatores juntos: atrito, umidade em excesso e pouca ventilação.

Segundo os mesmos autores, o quadro vai de uma inflamação leve até feridas fundas e doloridas.

O Manual Veterinário MSD coloca o intertrigo entre as infecções da camada mais superficial da pele. No mesmo grupo está o hot spot, que muita gente também chama de dermatite úmida. São quadros diferentes. O hot spot é uma ferida que o próprio cão abre ao lamber e coçar, e cresce em horas. Explicamos em hot spot em cachorro.

Por que a umidade deixa a dobra doente?

A superfície da pele saudável do cão é seca. O Manual MSD explica que qualquer condição que troca esse ambiente seco por um mais úmido favorece o excesso de bactérias.

Segundo o manual, as áreas quentes e úmidas têm mais bactéria do que o resto da pele e mais risco de infecção. Entram nessa lista as dobras dos lábios, da face, do pescoço, da vulva e do rabo.

A outra moradora da dobra é a Malassezia, uma levedura, que é um tipo de fungo. Ela vive na pele de cães saudáveis sem causar problema. Uma revisão de 2020 sobre essa levedura explica por que a dobra favorece o crescimento dela e das bactérias:

  • o ar circula menos;
  • a pele fica mais quente e mais úmida;
  • as secreções ficam retidas;
  • há atrito entre as duas superfícies.

No pug, a UFAW, uma organização científica britânica de bem-estar animal, lembra que lágrima, saliva e urina também podem se acumular nas dobras.

Quando se fala em fungo na dobra úmida, a suspeita costuma ser essa levedura. Ela não é o fungo da micose, que é outra doença e pode passar para a família. A diferença está em micose em cachorro e gato.

Se a bactéria desce para a raiz do pelo e forma bolinhas com pus, o quadro já é outro, a piodermite superficial. Explicamos esse caso em cachorro com bolinhas na pele.

Onde a dermatite de dobra aparece no cachorro?

O estudo britânico analisou o registro de mais de 900 mil cães atendidos em clínicas do Reino Unido em 2016. Os locais com mais registros foram, nesta ordem:

  1. lábios;
  2. dobra da face;
  3. vulva;
  4. dobra do focinho, acima do nariz;
  5. rabo;
  6. em volta dos olhos.

A dobra também pode surgir com o excesso de peso, no corpo e em volta da vulva. Quando há obesidade, os autores recomendam tratá-la junto. É um ponto para conversar com o veterinário.

Buldogue francês e pug: por que têm mais problema de pele nas dobras?

Os dois são braquicefálicos, as raças de focinho achatado. Segundo a UFAW, no pug o focinho encurtou muito, mas a pele que o cobre não diminuiu na mesma proporção. A pele que sobra forma as dobras.

No estudo britânico, comparadas aos cães sem raça definida, três raças tiveram a maior chance de dermatite de dobra: buldogue inglês, buldogue francês e pug. Entre os braquicefálicos, a doença foi registrada em cerca de 1% dos cães naquele ano. Nos cães de focinho médio, em cerca de 0,3%. São dados do Reino Unido, de 2016, e não valem como retrato do Brasil.

Os autores acreditam que o número real é maior. Nem tudo o que se vê na consulta vai para o prontuário, e a pele doente fica escondida no fundo da dobra.

Cada raça tem os seus pontos de atenção:

  • Buldogue francês: dobras da face e do focinho, e o rabo. Ele e o buldogue inglês costumam ter o rabo enrolado em saca-rolhas, e a dermatite em volta do rabo foi frequente nas duas raças.
  • Pug: face, focinho e região dos olhos. A UFAW explica que a dobra acima do nariz pode encostar os pelos no olho e irritá-lo.

Um alerta vale para as duas raças: cheiro e vermelhidão na dobra não são "coisa da raça". Os autores do estudo apontam que tratar o problema como normal da raça pode fazer com que ele passe despercebido. Para a UFAW, o cheiro costuma ser o primeiro sinal que o tutor nota.

Shih tzu com pele vermelha: é dermatite de dobra?

Pode ser, mas há outras causas. O shih tzu também tem focinho curto, mas, no estudo britânico, não teve chance maior de dermatite de dobra do que os cães sem raça definida.

Na revisão de 2020, ele está entre as raças com risco maior de dermatite por Malassezia. As lesões dessa levedura aparecem de preferência onde a pele encosta em pele. O quadro costuma ter coceira, vermelhidão, cheiro e um material marrom-escuro e gorduroso grudado no pelo.

A mesma revisão cita a alergia entre os fatores que favorecem a levedura. Por isso, pele vermelha no shih tzu também pode ser alergia, como a dermatite atópica, com ou sem levedura junto. Quem separa uma coisa da outra é o exame.

Quais são os sinais de dermatite de dobra?

Nos registros do estudo britânico, os sinais mais anotados foram vermelhidão, inflamação, umidade, mau cheiro e dor. Fique atento a:

  • pele vermelha no fundo da dobra;
  • dobra que continua úmida mesmo longe do banho;
  • cheiro forte vindo do focinho, do rabo ou da vulva;
  • secreção ou ferida dentro da dobra;
  • cão que não deixa tocar no local.

Para olhar, abra a dobra com cuidado e só se o cão deixar. A lista serve para você saber o que contar na consulta. Ela não fecha diagnóstico, e não avaliamos pele por foto.

A umidade de Florianópolis piora a dermatite de dobra?

Em Florianópolis, o ar é úmido o ano inteiro. Pelas Normais Climatológicas de 1991 a 2020 do INMET, a umidade relativa média da estação de Florianópolis é de 79,9% ao ano. Nenhum mês fica abaixo de 77%, e o mais úmido é julho, com 82,4%. A umidade alta, aqui, não é só coisa do verão.

A revisão sobre Malassezia diz que a dermatite por essa levedura é reconhecida como mais comum em clima tropical e nos meses quentes e úmidos. Os autores fazem uma ressalva: isso não foi estudado especificamente em cães.

Há outro limite. O INMET mede o ar, e não o fundo da dobra. Também não encontramos estudo que mostre mais dermatite de dobra na Grande Florianópolis. Quem cria a doença é a dobra, com o atrito e a pouca ventilação. O clima úmido é o pano de fundo, e por isso a secagem merece atenção.

Pug deitado, em preto e branco, olha para uma redoma de vidro com uma pequena nuvem e gotas de água dentro, sobre fundo bege.
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Como secar as dobras do cachorro depois do banho e do mar?

Manter a dobra seca é parte do controle, segundo os princípios de tratamento citados no estudo britânico. Em casa, o cuidado prudente é não deixar a dobra molhada:

  • depois do banho, da chuva, da piscina ou do mar, seque as dobras com uma toalha limpa e macia;
  • pressione a toalha, sem esfregar, porque o atrito é um dos fatores da doença;
  • abra a dobra só até onde o cão deixar, sem forçar uma área dolorida;
  • seque também em volta do rabo e da vulva.

Não passe produto, lenço umedecido, pomada ou receita caseira na dobra por conta própria. Se ela precisa de limpeza, é o veterinário quem orienta como, com o quê e com que frequência, depois do exame.

Para o dia de praia, o passo a passo está no roteiro de 5 minutos para depois da praia. Os cuidados com sal e areia estão em cachorro pode tomar banho de mar.

Dermatite de dobra tem cura?

Tem tratamento, e o objetivo é o controle. O estudo britânico explica que, enquanto o atrito e a umidade continuam na dobra, uma solução duradoura é rara. Por isso, o cuidado costuma ser de longo prazo.

O tratamento é definido depois do exame. No consultório, a citologia é o exame mais usado na rotina: uma lâmina encostada na pele é lida no microscópio e mostra se há levedura, bactéria ou as duas. A revisão de 2020 aponta a citologia como a forma habitual de encontrar a levedura na lesão.

Quando o cuidado não funciona ou não se sustenta no dia a dia, o veterinário pode avaliar a correção cirúrgica da dobra. É uma decisão tomada caso a caso, depois do exame.

Vale também olhar além da dobra. Para o Manual MSD, as dobras estão entre as predisposições das infecções de pele que voltam. Na mesma lista estão a alergia e as doenças hormonais, como o hipotireoidismo. Quando a infecção volta ou aparece em vários lugares do corpo, essa investigação entra na conversa.

Quando procurar avaliação

  • dobra vermelha, úmida ou com cheiro que volta, mesmo com a secagem em dia;
  • secreção, ferida ou sangramento dentro da dobra;
  • dor ao toque no focinho, no rabo ou na vulva;
  • olho irritado, principalmente no pug;
  • coceira ou vermelhidão também nas axilas, nas patas ou nas orelhas.

Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação é presencial, no consultório em Barreiros. Veja como funciona o atendimento de dermatologista veterinário em São José.

Fontes consultadas

Fontes conferidas em 3 de novembro de 2026.

  1. O'Neill DG, Rowe D, Brodbelt DC, Pegram C, Hendricks A. Ironing out the wrinkles and folds in the epidemiology of skin fold dermatitis in dog breeds in the UK. Scientific Reports, 2022. DOI 10.1038/s41598-022-14483-5
  2. Guillot J, Bond R. Malassezia yeasts in veterinary dermatology: an updated overview. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 2020. DOI 10.3389/fcimb.2020.00079
  3. Clark MD. Pyoderma in Dogs and Cats. MSD Veterinary Manual, revisão de outubro de 2025. msdvetmanual.com
  4. Godfrey R, Godfrey D. Skin Fold Dermatitis (Pug). UFAW (Universities Federation for Animal Welfare), 2011, página atualizada em 21 de maio de 2026. scienceforanimalwelfare.org
  5. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Normais Climatológicas do Brasil 1991 a 2020: umidade relativa do ar compensada mensal e anual. portal.inmet.gov.br

A dobra do seu cão vive vermelha, úmida ou com cheiro?

Antes do produto, vem o exame: levedura, bactéria ou as duas, e o que mantém a dobra assim. Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.

Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.

Dra. Dyba · CRMV-SC 10128

Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.

Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.

Perguntas frequentes

Fungo por umidade em cachorro é micose?

Nem sempre. Na dobra úmida, a suspeita costuma ser a Malassezia, uma levedura que já vive na pele de cães saudáveis. Ela cresce demais quando encontra calor, umidade e pouco ar. A micose é outra doença, causada por outro grupo de fungos, e pode passar para a família. Quem diferencia é o exame feito na consulta.

Buldogue francês tem mais problema de pele nas dobras?

Nos dados britânicos, sim. Num estudo com mais de 900 mil cães atendidos no Reino Unido em 2016, três raças tiveram a maior chance de dermatite de dobra: buldogue inglês, buldogue francês e pug. A comparação foi com cães sem raça definida. No buldogue francês, os pontos de atenção são a face, o focinho e a região do rabo enrolado.

Como limpar a dobra do pug?

Em casa, o cuidado é manter a dobra seca, que é parte do controle segundo os princípios de tratamento citados num estudo britânico. Depois do banho, da chuva ou do mar, seque com uma toalha limpa e macia, pressionando sem esfregar. Limpeza com produto, lenço ou receita caseira, só com orientação do veterinário. Ele examina a dobra e explica como, com o quê e com que frequência.

Dermatite de dobra tem cura?

Tem tratamento, e o objetivo é o controle. Enquanto a dobra continua existindo, com atrito e umidade, o problema tende a voltar, e o cuidado costuma ser de longo prazo. Em alguns casos que não respondem, o veterinário pode avaliar a correção cirúrgica da dobra, numa decisão tomada caso a caso.

A umidade de Florianópolis causa dermatite no cachorro?

Não sozinha. Pelas normais do INMET, a umidade relativa média de Florianópolis é de cerca de 80% ao ano. A dermatite por levedura é reconhecida como mais comum em clima tropical e úmido, mas isso não foi estudado especificamente em cães. A dermatite de dobra nasce da própria dobra, e manter a dobra seca é parte do controle.