A malassezia é uma levedura que vive na pele de todo cão e só vira doença quando alguma coisa a faz crescer demais. Veja os sintomas, por que ela volta e se passa para pessoas.
Malassezia em cachorro: o fungo que todo cão tem e por que ele volta

A malassezia em cachorro é uma levedura, um tipo de fungo, que vive na pele e no ouvido de cães saudáveis sem causar nada. Ela vira doença quando alguma coisa muda a pele e deixa a levedura crescer além da conta. Essa coisa costuma ser alergia, dobra de pele, seborreia ou um problema hormonal. Por isso ela volta: o tratamento controla o fungo, mas a causa continua lá.
O que é malassezia em cachorro?
O nome completo da levedura é Malassezia pachydermatis. Ela faz parte da pele normal do cão. Uma revisão de 2020 reúne os estudos feitos em cães saudáveis: a região da boca e a pele entre os dedos abrigam a Malassezia em até 80% deles.
Na pele saudável, o próprio sistema de defesa mantém a levedura em número pequeno, sem inflamação. O consenso da Associação Mundial de Dermatologia Veterinária (WAVD), publicado em 2020, a descreve como uma moradora normal da pele que pode virar agente de doença quando encontra oportunidade.
Quando ela cresce demais e inflama a pele, o nome é dermatite por malassezia. Ela não é a micose. A micose é causada por outro grupo de fungos e pode passar para a família. A diferença está em micose em cachorro e gato.
Quais são os sintomas de malassezia em cachorro?
Os sinais mais comuns, segundo a revisão de 2020, são:
- coceira, que vai de leve a muito forte e costuma ser o sinal principal;
- pele vermelha, de preferência onde a pele encosta em pele;
- material marrom-escuro e gorduroso grudado na base dos pelos;
- cheiro forte na pele;
- pele escurecida e mais grossa com o tempo, e falhas de pelo causadas pela coceira;
- otite junto, com cera escura no ouvido.
As patas merecem atenção. A levedura pode inflamar a dobra em volta da unha, que incha e solta uma secreção marrom e cerosa. A unha pode ficar manchada de marrom-avermelhado. Isso pode vir junto com inflamação da pele da pata, e o quadro se mistura com o do cachorro lambendo a pata.
Se o cheiro volta poucos dias depois do banho, vale ler sobre o cachorro com cheiro ruim depois do banho.
Segundo a mesma revisão, a dermatite por malassezia pode imitar ou complicar a dermatite atópica, uma alergia crônica da pele. As duas coçam e avermelham a pele, e podem estar juntas no mesmo cão.
Por que a malassezia em cachorro volta?
Porque, na maioria das vezes, ela é consequência, e não causa. A revisão de 2020 explica que a dermatite por malassezia costuma vir junto com outra doença, que altera a defesa da pele ou o ambiente na superfície dela. Os mesmos autores afirmam que, quando a dermatite persiste ou volta, em geral é porque essa causa não foi encontrada e corrigida.
Para o consenso da WAVD, os tratamentos funcionam principalmente quando os fatores que favorecem a levedura são identificados e corrigidos. Os mais citados são estes.
Alergia
Entre as alergias, a revisão destaca a dermatite atópica. A inflamação da alergia muda a pele de forma contínua, e a levedura aproveita. Enquanto a alergia não estiver controlada, a malassezia tende a voltar.
Às vezes é o contrário: parte da coceira tratada como alergia vinha da levedura ou de outra causa. Falamos disso em tratamos alergia há meses sem melhora: e se não for alergia?
Dobras de pele
Onde a pele encosta em pele, há menos ar, mais calor e mais umidade. A revisão aponta as dobras como um fator local importante para a levedura e para as bactérias. Explicamos esse quadro em dermatite por umidade em cachorro.
Seborreia
Alguns cães têm um defeito na renovação da pele, que fica oleosa ou descamando. É o distúrbio de queratinização, que o tutor costuma ouvir como seborreia, e essa pele alterada favorece a levedura.
Doenças hormonais
A revisão também inclui as doenças hormonais, ou endócrinas, entre as causas de fundo que precisam ser corrigidas ou controladas. Entre elas estão o hipotireoidismo e o Cushing.
Muitos problemas de pele são hormonais, e quem trata só a pele não chega na causa. Por isso a Dermato Animal reúne dermatologia e endocrinologia: para investigar o quadro completo, e não só o que aparece.
Raça e clima
Algumas raças têm risco maior. A revisão cita o West Highland White Terrier, o shih tzu, o basset hound, o cocker spaniel americano, o boxer, o teckel e o poodle, entre outras. Ter uma dessas raças não quer dizer que o cão vai ter a doença.
O clima também pesa. Segundo a mesma revisão, a dermatite por malassezia é reconhecida como mais comum em clima tropical e nos meses quentes e úmidos, embora isso não tenha sido estudado especificamente em cães. Na Grande Florianópolis, é mais um motivo para secar bem o cão depois do banho, da chuva e do mar. Não é falta de cuidado do tutor: a levedura responde à pele e ao ambiente.
Malassezia no ouvido é a mesma da pele?
Sim. A mesma levedura também causa otite. O Manual Veterinário MSD explica que o conduto auditivo da maioria dos cães abriga pequenas quantidades de levedura e de bactéria. Elas passam a causar doença quando o ambiente do ouvido muda e favorece o crescimento delas.
Na otite por malassezia, a secreção costuma ser cerosa e escura, e a inflamação muitas vezes passa do canal para a aba da orelha. O cão balança a cabeça, coça a orelha, sente dor e o ouvido cheira.
O MSD lista a alergia e as doenças hormonais, como o hipotireoidismo, entre as causas primárias da otite, e diz que essas causas precisam ser identificadas e tratadas. Se a otite do seu cão trata, melhora e volta, o texto sobre otite de repetição em cachorro explica as camadas por trás dela.
Orelha com dor, cheiro, secreção ou vermelhidão pede avaliação antes de qualquer produto.

Como saber se é malassezia?
Olhando, não dá para ter certeza. O exame é a citologia. O veterinário encosta uma fita adesiva ou uma lâmina na pele, ou passa um swab no ouvido, e lê o material no microscópio. Na Dermato Animal, ela é feita durante a própria consulta.
Ver levedura na lâmina não fecha o caso sozinho. A revisão de 2020 explica que o lugar do corpo, a raça, o jeito de coletar e a imunidade do cão mudam o que uma mesma quantidade de levedura significa. Por isso o diagnóstico junta três coisas:
- uma lesão compatível com malassezia;
- a levedura encontrada no exame;
- a resposta ao tratamento, com a pele melhorando e a levedura diminuindo na citologia de controle.
Depois vem a pergunta mais importante: por que a levedura cresceu? A revisão observa que os sinais da doença de base costumam ficar mais claros depois que a malassezia é controlada. Daí seguem os exames que cada caso pede, inclusive os hormonais quando há sinais para isso.
Malassezia em cachorro tem cura?
A levedura não vai embora da pele, e nem deveria, porque faz parte da pele normal. O objetivo do tratamento é trazer a população dela de volta ao normal e cuidar do que a fez crescer.
Tratamento existe, com produtos de uso na pele, remédio por boca ou os dois. A escolha, o tempo e a forma de usar dependem do exame, da extensão e da causa de fundo. Por isso não indicamos produto aqui.
O resultado depende da causa. Segundo a revisão de 2020, cuidar das doenças que vêm junto é importante para diminuir as recaídas. Quando é uma doença que se controla ao longo da vida, como a dermatite atópica, o cuidado costuma ser de longo prazo, com reavaliações. Cada caso tem a sua evolução.
Repetir o remédio da última crise por conta própria é compreensível, mas a mesma revisão registra o surgimento de levedura menos sensível a antifúngicos muito usados. Mais um motivo para tratar com exame e acompanhamento.
Malassezia de cachorro passa para humanos?
A levedura do cão pode ir parar nas mãos de quem convive com ele, principalmente quando o cão tem excesso dela na pele. Doença em pessoas, porém, é rara, e os poucos casos descritos envolveram sobretudo pessoas já fragilizadas por outros problemas de saúde.
O primeiro alerta veio de uma UTI neonatal. O surto foi investigado por pesquisadores do CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, e publicado em 1998 no New England Journal of Medicine. Bebês internados, de muito baixo peso, receberam a levedura, provavelmente pelas mãos de profissionais de saúde que tinham cães em casa. Depois disso, a revisão de 2020 cita um caso de lesão no rosto de um tutor e poucos adultos com infecção no sangue, que tinham outros fatores de risco.
A revisão recomenda lavar bem as mãos depois de mexer no cão, principalmente quando há contato com alguém de imunidade baixa, como bebês prematuros, pessoas em quimioterapia ou transplantadas. Nesses casos, converse também com o médico da pessoa.
E o pano branco, a micose de pele das pessoas? A tabela da revisão liga essa doença, a pitiríase versicolor, a outras espécies de malassezia, e não à do cão.
Quando procurar avaliação
- coceira, vermelhidão ou cheiro que voltam depois de cada tratamento;
- material marrom e gorduroso no pelo, nas dobras ou entre os dedos;
- pele escurecendo e ficando mais grossa onde o cão se coça;
- orelha com cera escura, cheiro ou o cão balançando a cabeça;
- unhas manchadas de marrom-avermelhado, com a pele em volta inchada;
- cão adulto ou idoso com a pele piorando junto com queda de pelo dos dois lados, ganho de peso ou desânimo.
Para quem está em São José e na Grande Florianópolis, a avaliação é presencial, no consultório em Barreiros. Veja como funciona o atendimento de dermatologista veterinário em São José.
Fontes consultadas
Fontes conferidas em 4 de novembro de 2026.
- Bond R, Morris DO, Guillot J, Bensignor EJ, Robson D, Mason KV, Kano R, Hill PB. Biology, diagnosis and treatment of Malassezia dermatitis in dogs and cats: Clinical Consensus Guidelines of the World Association for Veterinary Dermatology. Veterinary Dermatology, 2020. DOI 10.1111/vde.12809
- Guillot J, Bond R. Malassezia yeasts in veterinary dermatology: an updated overview. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 2020. DOI 10.3389/fcimb.2020.00079
- Hoff S. Otitis Externa in Animals. MSD Veterinary Manual, revisão de setembro de 2025, atualizada em abril de 2026. msdvetmanual.com
- Chang HJ, Miller HL, Watkins N e cols. An epidemic of Malassezia pachydermatis in an intensive care nursery associated with colonization of health care workers' pet dogs. New England Journal of Medicine, 1998. DOI 10.1056/NEJM199803123381102
A pele ou o ouvido do seu cão melhora e volta?
Antes de mais um tratamento, vem a pergunta certa: o que está fazendo a levedura crescer? Aqui investigamos a causa, montamos o protocolo para aquele animal e acompanhamos a evolução, com foco exclusivo em dermatologia e endocrinologia veterinária.
Falar com a recepção · Atendimento presencial para cães e gatos em Barreiros, São José, e para toda a Grande Florianópolis.
Dra. Dyba · CRMV-SC 10128
Médica veterinária especialista em dermatologia e endocrinologia, com atuação exclusiva nessas duas áreas para cães e gatos em São José, na Grande Florianópolis. Participa da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV) e conduz o atendimento clínico da Dermato Animal.
Este texto é informativo e não substitui a consulta presencial. Não avaliamos pele por foto nem por descrição.
Perguntas frequentes
Malassezia em cachorro tem cura?
A levedura faz parte da pele normal do cão, então o objetivo não é eliminá-la, e sim trazer a quantidade dela de volta ao normal. O tratamento existe e é escolhido depois do exame. O que decide se ela volta é a causa de fundo, como alergia, dobra, seborreia ou doença hormonal. Quando essa causa é cuidada, as recaídas tendem a diminuir.
Malassezia de cachorro passa para humanos?
A levedura do cão pode passar para as mãos de quem convive com ele, mas doença em pessoas é rara. Os poucos casos descritos envolveram sobretudo pessoas já fragilizadas, como bebês de muito baixo peso internados em UTI. Lavar bem as mãos depois de mexer no cão é a principal recomendação, e quem tem a imunidade baixa deve conversar também com o próprio médico.
A malassezia do ouvido é a mesma da pele?
Sim. A mesma levedura vive em pequena quantidade no ouvido e na pele de cães saudáveis e pode causar otite e dermatite. No ouvido, a secreção costuma ser cerosa e escura, com coceira, cheiro e cabeça balançando. Nos dois casos, a pergunta é a mesma: o que fez a levedura crescer. Alergia e doenças hormonais estão entre as causas investigadas.
Como saber se meu cachorro tem malassezia?
Só pelo exame. A citologia colhe material da pele ou do ouvido com fita adesiva, lâmina ou swab, e o veterinário lê no microscópio. Ver a levedura não basta: o diagnóstico junta a lesão, o exame e a resposta ao tratamento. Coceira, pele vermelha, gordura marrom no pelo e cheiro forte são sinais para procurar avaliação presencial.
